Aceituno Jr. |
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A quimioteca é uma sala de brincar inserida dentro do espaço de infusão de quimioterapia |
O tratamento por quimioterapia de crianças com câncer no Centro Ambulatorial de Oncologia do Hospital Estadual de Bauru (HE) ficou, desde ontem, com tom de “brincadeira séria”. Foi inaugurada a Quimioteca, espaço lúdico para as crianças brincarem enquanto realizam o tratamento.
Com 11 poltronas, cinco delas com monitores individuais para que as crianças vejam seus desenhos preferidos, a Quimioteca é presente da Associação Bauruense de Combate ao Câncer (ABCC) em parceria com a rede McDonald’s, que destinou à associação a arrecadação da campanha MC Dia Feliz de 2013. O investimento no espaço foi de R$ 90 mil.
Conforme a presidente da ABCC, Cristina Berriel Aidar, o projeto privilegia o tratamento da dor com a possibilidade da criança brincar. “É justamente transformar a sala de quimioterapia pediátrica do Hospital Estadual em um espaço o que buscamos nesse projeto, para privilegiar o lúdico e o ato de brincar como estratégia para humanizar o tratamento da criança com câncer durante a administração da quimioterapia. É um espaço para tratar a dor com brincadeira”, comenta.
A pediatra Ana Cristina Xavier Neves, supervisora do serviço de oncologia do HE, destaca que o espaço é fundamental e com resultado comprovado. “O tratamento de uma criança com câncer pode ir de um até cinco anos, período em que ela é submetida a sessões de três a quatro vezes por semana, com repetição de procedimentos de impulsão. É essencial que, na sessão de terapia, ela tenha espaço para brincar, se distrair e também ter intervenção multidisciplinar que beneficia seu tratamento, como a abordagem com uma psicóloga”, explica a médica.
Em sua visão, brincar melhora a imunidade e ajuda diretamente na recuperação. “Durante o tratamento com câncer, o paciente fica com a imunidade zero. A criança fica de seis a 12 horas por dia aqui durante os procedimentos, como a infusão. Ela acaba saindo um pouco do universo da criança. A Quimioteca faz com que essa rotina em um ambiente hospitalar seja interrompida com leitura, estudo, jogos e brincadeiras. A criança apresenta resultados muito rapidamente com essa oportunidade de distração”, reforça Ana.
Humanizar
Atualmente, 50 crianças fazem quimioterapia no Hospital Estadual. Para cada caso, há um protocolo específico, mas elas podem passar até seis horas dentro do hospital, entre consulta e terapia. No caso de infusão, o período pode se estender a 12 horas. “Um ambiente humanizado ameniza impactos negativos do tratamento, qualifica o tempo de espera e favorece a recuperação”, observa a médica Ana Cristina Xavier Neves. Ela atua há mais de 15 anos na área.
