Física, química e matemática. Essas três frentes de estudo são de “arrepiar” os cabelos de qualquer aluno que não tem facilidade com números. Mas, para os estudantes do Colégio Rembrandt COC, de Bauru, elas são sinônimo de desafios a serem superados. E é “Além da Lousa”, como o próprio nome do grupo diz, que eles transformam o conhecimento da sala de aula em ciência. A experiência mais recente foi uma sonda espacial, enviada aos céus no último dia 5.
O professor de física e tutor dos alunos na área de tecnologia de código aberto João Carlos Ariedi, 25 anos, contou que tudo começou há cerca de cinco anos, quando o grupo foi criado. Atualmente, ele é composto pelos alunos Henrique Vila, 17 anos, Matheus Linares, 17, Lucca Panice, 15, Alan Costa, 16, e Jean Hideki, 17.
“A escola tem o projeto ‘Além da Lousa’, onde os alunos podem escolher os assuntos que querem aprofundar e criar experimentos. É um grupo eficaz que envolve alunos, professores, pais e a gestão da escola para levar o conhecimento para fora da sala de aula. Cada um dos alunos fica responsável por uma frente: história, geografia, física, química e outras”, explica João Carlos.
Com o auxílio e incentivo do professor, os estudantes começaram a se apresentar em feiras na própria cidade, levando mais do que estandes e experimentos comuns para demonstração, unindo diversas frentes. “Uma vez nós contamos a história da luz em um estande totalmente escuro, sob vários ângulos”, acrescentou o docente.
O lançamento
E mais uma das experiências foi colocada em prática no dia 5: a sonda espacial. O local escolhido para o lançamento foi um campo aberto na rodovia João Baptista Cabral Rennó (SP-225), a Bauru-Ipaussu, em Bauru. O horário: 9h30. Tudo preparado: gás hélio para um balão de um metro e meio de diâmetro; oito metros de cordas para sustentar um paraquedas e a cápsula de isopor que contém uma câmera, um GPS, baterias, placa de arduíno (computa e envia as informações) e um datalogger (capta dados como temperatura e umidade).
“O peso total foi de 1,6 quilo. Quando o balão atingiu oito metros de diâmetro (expansão) e, consequentemente, 30 quilômetros de altura, ele explodiu e começou a cair. Tínhamos a previsão que ele poderia cair em Piracicaba, mas os ventos foram levando. O software foi preciso e o equipamento caiu (de forma segura) a cinco metros de um lago, dentro de um condomínio fechado em Indaiatuba, a 260 quilômetros de Bauru”, disse o professor.
Na conclusão deste projeto, será montado um manual de como confeccionar uma sonda, estudar os resultados colhidos e até mandar para comunidades internacionais. O próximo experimento da equipe será um foguete. Desta vez, as imagens do balão não captaram nenhum fato novo ou anormal, segundo o professor.
Apoio
Com o sucesso em exposições pelas diferentes maneiras de demostrar experimentos, o grupo ganhou apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) com uma bolsa, valor que também ajuda a financiar os experimentos, além do auxílio da própria escola e das famílias dos estudantes.
E foi o CNPq, junto do COC, que fundamentou o projeto da sonda, sugestão dos próprios alunos.
No total, foram gastos aproximadamente R$ 950,00 para a compra do balão, das cordas e do gás hélio. A câmera e as baterias foram emprestadas através de amigos e também por meio de parcerias.
Avisos
Mandar um objeto para o espaço não é nada simples. O professor João Carlos checou tudo dentro da legislação. Ele explica que a lei permite que balões com certo peso possam ser lançados, mesmo sem avisar nenhum órgão competente como, por exemplo, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). “Nós acabamos avisando a Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica)”, disse o professor.
Além disso, qualquer objeto estranho que cai do espaço causa certo receio da população. Por isso, a sonda leva avisos. Um deles: “Se encontrar este balão, leia a carta”, e na própria carta, outro lembrete “Abram e leiam”. Dentro do bilhete tem todas as instruções para devolver o material, inclusive uma ressalva: “Não é explosivo, nem radioativo”.