Regional

Bariri leva trabalhos de "amarrio"

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

A Feira de Cultura Itinerante do Médio Tietê é para a cidade de Bariri (56 quilômetros de Bauru) uma vitrine para mostrar os trabalhos em amarrio, famosos em toda a região. Mas não são só eles que figuram como atração. Tem ainda pintura em tecido, em óleo, confecção em EVA e trabalhos em madeira. O município participa das feiras com um cadastro rotativo de artistas.

O amarrio é uma arte muito antiga e que tem em “nós” o ponto de partida. Ela arte existe desde o tempo em que os navegadores do Oriente Médio começaram a fazer nós com as cordas dos navios. Sabe-se também que o Apóstolo Pedro, pescador, se utilizava dessa arte para tecer suas redes.

Na música, a cidade é representada diversas categorias, duplas, bandas de garagem, orquestra de viola, bandas de rock, sertanejo solo, DJs, rappers. “Alguns ensaios ocorrem em espaços públicos como o Centro Cultural Mário Fava e o Setor de Cultura tem privilegiado a participação dos músicos baririenses nas festividades e comemorações locais”, explicou a chefe do setor de cultura municipal, Dinorá Nusegante.

Segundo ela, está em formação a Orquestra de Flautas, uma parceria com o setor Social. “Outro destaque no Estado é a Banda Marcial Alexandre Giuliano Gallo, que este ano completa 20 anos de fundação. A banda conta com variadas premiações em concursos onde se destaca pela musicalidade e coreografia impecáveis.”

A cidade também conta com grandes talentos na literatura que, junto com pintores e músicos, formaram a Academia Baririense de Letras e Artes (ABLA). Entre os acadêmicos destaca-se a escritora Walderez de Mello que possui vários livros na linguagem infantil e infanto-juvenil. No início do ano, mês de abril, foi lançado o curta-metragem de época ‘Os Engraxates’, produzido pela equipe do Centro de Promoção Social (CPS), uma instituição que tem por finalidade a prestação de serviços sócio assistenciais e sócio educativos às famílias, crianças e aos adolescentes de Bariri e Itaju. Outras atividades artísticas como grupos teatrais, gafieira, capoeira, samba de roda também fazem parte da cultura local e são desenvolvidas em parceria com a prefeitura.


Lençóis tem produto de bagaço de cana e dança

Na cidade de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru) o produto mais famoso é a cana-de-açúcar, o município possui alambiques e produtores de álcool e açúcar. Para marcar a presença nas Feiras Culturais Itinerante do Médio Tietê, os produtos fabricados com bagaço de cana são um dos itens mostrados para as cidades da região. A dança, a marchetaria, os bordados e trançados também fazem parte do cardápio cultural. 

“Cada cidade leva um pouquinho de suas características. Lençóis tem levado grupos de dança, temos vários deles. A cidade que sedia escolhe o estilo. Barra Bonita tem uma força grande  no sapateado americano e balé clássico. Lençóis tem um grupo muito forte em ginástica artística  que pode ser entendido como dança também. Esse grupo vai e faz uma grande exibição,” explicou o diretor de Cultura Nilceu Bernardo.

Quando a cidade sedia a feira, faz uma programação de uma ou mais noites ou um dia todo com apresentações sequenciais. “Os formatos acontecem de formas diferentes em cada uma das participantes. Cada uma tem uma estrutura, por exemplo, tenho uma cobertura de 3X4, com uma mesa de tamanho tal e com tantas cadeiras. Normalmente não vão todos os artistas cadastrados e sim uma representação da cidade.” Na cidade de Lençóis Paulista, a feira teve dois dias, das 18h às 23h. “Entre as apresentações de cada bloco colocamos uma atração da cidade que está recebendo o evento  para conhecer um pouquinho mais das coisas que a cidade oferece e convidar para as edições posteriores, esse movimento é muito importante.”

A cada cidade uma experiência. “Entre elas tem uma troca grande com a comunidade entre os grupos e seus dirigentes. Temos reuniões mensais de dirigentes e organizadores da feira. Essas reuniões além de avaliar, pensar na melhora da programação, é uma espécie de consórcio, em serviços  e obrigações  não envolvendo exatamente dinheiro. Essa troca acaba expandindo além da feira, mas em experiência em cultura.


Itapuí participa da feira desde 2013

A cidade de Itapuí (44 quilômetros de Bauru) começou a participar da Feira Itinerante do Médio Tietê no ano passado na tentativa de levar os artistas locais para outras regiões. “É uma maneira de expor a cultura local de forma regional. Na verdade, a feira já existe há uns cinco anos. Começou com pessoal de Lençóis e Agudos. Nós tivemos o primeiro contato com o pessoal de Lençóis Paulista e entendemos que ela beneficia as cidades que estão no torno do rio Tietê,” explica o diretor municipal de Cultura, Ricardo Guarnieri.

Nos cinco primeiros anos da feira, os artistas da cidade não participaram do evento, explica o diretor. “Nesse governo ensaiamos em participar, mas decidimos não participar porque precisávamos nos organizar com os artistas da cidade. Fizemos um projeto que batizamos de  Mapa Cultural da Bica, uma referência ao Mapa Cultural Paulista. O evento estadual  nós fizemos na esfera municipal. Conseguimos ao longo de um ano cadastrar uns 40 artistas nas variadas expressões, artesanato, música, dança , artes cênicas.”

Os cadastrados, segundo Guarnieri, são pessoas que se declaram fazedoras de uma expressão artística. “Nós não avaliamos a qualidade, cadastramos desde que ela se declare fazedora de uma expressão. Um canta, outro dança etc.”

Todas as cidades tem o compromisso, uma vez no ano, em sediar a feira em sua cidade. Na opinião de Guarnieri, o projeto da feira é importantíssimo para os artistas de cada uma das cidades. “Um projeto dessa magnitude é importantíssimo porque dá oportunidade para o artista local que não tem visibilidade, muitas vezes nem espaço para se apresentar. É uma vitrine para mostrar o seu trabalho”.

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