Política

Feira livre já espera os candidatos

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Há muitos anos, todos os domingos, um grupo de amigos se reúne na calçada da quadra 5 da Gustavo Maciel, onde acontece a mais tradicional feira livre de Bauru. Pode acreditar: política é o principal assunto da roda de conversas. Depois de tanto tempo cultivando essa rotina, de uma coisa eles têm certeza: quando chega a campanha eleitoral, faltam frutas, legumes e verduras para a quantidade de candidatos buscando votos em um dos espaços de maior natureza democrática.

Ontem, no primeiro dia de propaganda política liberada, a presença de candidatos não foi notada de forma massiva, talvez pelo fato de a grande maioria ainda não contar com materiais de publicidade amplamente distribuídos na feira de domingo. “Daqui a pouco, vai chegar uma enxurrada de políticos”, prevê o bancário Luiz Roberto Bernardino, de 54 anos.

Ele é um dos integrantes do “Senadinho”, nome do grupo que adora tricotar sobre os bastidores da política, também chamado pelos próprios membros de PET - Partido dos Eternos Trouxas. “Porque a gente é daqueles que sobe para pregar cartaz de político, trabalha na campanha e, depois, fica a ver navios”, brinca Antônio Carlos Almeida, 62 anos.

O representante comercial conta que, apesar de muitos candidatos frequentarem as feiras livres apenas no período eleitoral, seus amigos e ele discutem política independente da época.

“Aqui, a gente sabe até antes de vocês (da imprensa) se alguém vai cair, se está na corda bamba, até porque nós temos fonte privilegiada”, diverte-se, ao se referir ao vereador Carlinhos do PS (PP), que não é candidato a deputado em 2014.

Feirante

Bem próxima do canto onde ficam os amigos do “Senadinho”, Maria Inês Ulial, 54 anos, vende hortaliças e legumes desde 1999. Apesar de já estar acostumada com a abordagem de políticos durante a campanha, confessa certo desconforto.

“Tudo bem que eles compram algumas coisas, mas não sinto muita sinceridade. Parece que todas as ações têm como objetivo só ganhar o nosso voto”, lamenta.

Atribulada com o árduo trabalho do dia a dia, Maria Inês admite que ainda não se atentou ao processo eleitoral, pois pensava que votaria novamente para prefeito, embora, em 2014, os brasileiros escolherão seus representes para a presidência da República, governos dos Estados, Senado, Câmara Federal e Assembleias Legislativas.

Positivo

Já a diarista Antônia de Oliveira de Souza, 60 anos, não se incomoda com os folhetos e santinhos distribuídos por candidatos. “Eu acho normal e até importante. De certa forma, é uma maneira de as pessoas conhecerem de perto os políticos, o que pode ajudar na hora de definir o voto”.

Pelo noticiário, ela já conheceu os três principais candidatos à presidência da República. Agora, a diarista pretende se dedicar às pesquisas sobre os bauruenses que desejam se eleger deputados em 2014.

Carência

Para a gerente de compras Jamibilli Reina, de 31 anos, a estratégia do corpo a corpo dos candidatos funciona porque parte da população é carente de atenção. “As pessoas não têm muito acesso aos políticos. Então, qualquer aperto de mão já é importante para elas”.

Seu marido, Elton Machado de Oliveira, 31 anos, garante que, com ele, esse tipo de campanha não funciona. “Eu procuro estar sempre por dentro. Hoje, já tenho definida a maioria dos meus candidatos porque sigo o trabalho que eles desempenham”, diz o motorista.


Muitas opções

Foram lançadas 20 candidaturas de Bauru, da pequena região ou de políticos ligados à cidade. Dentre eles, 12 buscam cadeiras na Assembleia Legislativa: Pedro Tobias (PSDB), Celso Nascimento (PSC), Alexandre Zakir (PPS), Paulo Eduardo de Souza (PSB), Amarildo de Oliveira (PTB), Estela Almagro (PT), Fábio Manfrinato (PR), Ivana Camarinha (PV), Renato Purini (PMDB), Auro Octaviani (PMDB), Maria Helena Catini (PDT) e Charles Bulhões (PSOL).

Para a Câmara Federal, são oito os candidatos: Carlos Octaviani (PMDB), Roberval Sakai (PP), Fabiano Mariano (PDT), Marcos Pontes (PSB), Galeno Loureiro Sobrinho (PSDB), Roque Ferreira (PT), Clodoaldo Gazzetta (PV) e Jamil Prudenciano (PSOL).

Comentários

Comentários