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Preço do feijão tem queda de 40%

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 4 min

Douglas Reis

Em alguns supermercados de Bauru, consumidor podia comprar o produto até R$ 2,00 mais barato

Além do alto valor nutritivo, o feijão, junto ao arroz, faz parte da dieta diária da população brasileira. Agora, uma boa notícia aos consumidores: o preço do alimento teve queda de 40%. Desde a segunda quinzena de junho, comprar feijão ficou mais barato em todo Estado de São Paulo. Porém, isso pode mudar, já que as condições climáticas não são favoráveis para a safra do alimento.

A informação é do diretor regional da Associação Paulista dos Supermercados (Apas) em Bauru, Émerson Svizzero. Segundo o comerciante, a baixa no preço do feijão surpreendeu, já que o produto teve alta de 6,44% nos cinco primeiros meses deste ano, junto com o arroz (4,85%).

“É muito para a época. Eu pagava um preço em maio e, na metade de junho, esse valor despencou. O tempo ainda permanece seco, ou seja, era para ter aumentado ou estabilizado o preço. Sem contar que o estoque do feijão é de um período curto e deve ser comercializado em menor tempo que o arroz, por exemplo”, explica Svizzero.

Em Bauru, o reflexo da queda no preço do feijão carioca, o mais comprado entre os consumidores, já pode ser notado nas prateleiras dos supermercados. Em um dos estabelecimentos, o produto chegou a ser comercializado até R$ 2,00 mais barato, o que representa uma economia de, em média, 40% nos bolsos.

Mas a surpresa agradável tem uma explicação. Para Svizzero, foi por conta da lei da oferta e procura. “Como tinha muita oferta no mercado, automaticamente, o preço reduz. A tendência, agora, nós não sabemos. Mas acredito que o produto se mantenha estável, apesar das condições climáticas apontarem o contrário”, aposta.

O presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde, confirma a informação de Svizzero e acrescenta variação constante na produção do produto. “O feijão é o pior vilão de quem o comercializa. Um dia, ele vale uma coisa e, no outro, já está diferente. No entanto, o preço dos produtos primários só caem quando há excesso de oferta. E não é só o feijão. Se a gente notar, todos os produtos primários caíram”, explica.

Lima Verde observa uma safra boa de feijão, sem quebras e contratempos. “Correu tudo bem no plantio e colheita. E quando há excesso de oferta, o comerciante é obrigado a baixar o preço. Quem ganha é o consumidor”, frisa.

Vai subir?

A previsão climática aponta seca para os próximos meses. Saber se haverá aumento de preço é um desafio, tanto para os comerciantes quanto agricultores. “Nós estamos em um período de seca, ou seja, a safra do feijão se torna imprevisível. Só teremos chuvas boas a partir da segunda quinzena de setembro”, ressalta Maurício Lima Verde.

Segundo ele, o feijão é de círculo curto, que varia de 90 a 100 dias. “Às vezes, temos três safras por ano. Esse fato também explica as variações constantes no preço”, acrescenta.

O diretor regional da Apas, Émerson Svizzero, acredita que os preços devem permanecer estáveis, porém, não por muito tempo. “A tendência é que o arroz continue com o mesmo preço. Já o feijão deve passar por um pequeno período de estabilidade e, depois, vai reagir, pois está muito barato”, finaliza.


E a feijoada?

O feijão preto, usado para a tradicional feijoada, deve se manter dentro da normalidade É o que aponta Émerson Svizzero. “No Estado, o consumo desse tipo de alimento não é grande. No frio, o feijão preto é mais vendido, mas como tem o estoque regular, ele não teve alta esse ano e acredito que nem terá”.

Outros tipos de grãos, segundo Svizzero, não foram atingidos pela alta nos preços registrada nos cinco primeiros meses de 2014. “A soja, por exemplo, depende muito de outros fatores na agricultura, que não foram prejudicados”, finaliza.


Fala Povo

Você sabia que o preço do feijão diminuiu?

“Eu notei que caiu. Estava de R$ 5,00 a R$ 6,00. Agora, vou aproveitar e comprar um pouco mais para armazenar, já que tenho criança em casa.” - Sandra Regina Soares Braga, dona de casa

“Eu percebi, sim. Em casa, tem só eu e meu filho. Consumimos muito feijão. Eu nem ia pegar um pacote hoje, mas não vou desperdiçar a oportunidade.” - Neusa Faveri, manicure

“Como eu sempre pesquiso, acabei reparando que caiu o preço. Vou aproveitar para comprar mais, se bem que, para hoje (ontem), ainda tem em casa.” - Wanda Braga, aposentada

“Nem sabia que o preço tinha baixado. Agora que você me falou, vou colocar um pacote no carrinho. Tem que aproveitar o momento.” - Aparecida dos Santos, servidora pública

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