Tribuna do Leitor

O ?Mineirazzo? e as lições da ?blitzkrieg? alemã


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E vai começar a chuva de pedras para cima dos culpados. Técnico ultrapassado, jogadores sem fibra, acovardados, torcida que não empurra o time, narrador azarado, umidade relativa do ar inadequada...

Claro que o golpe foi duríssimo. Perder uma semifinal de Copa para a Alemanha é a coisa mais normal do mundo. Agora, 7 a 1 goela abaixo é difícil de engolir, entender ou anotar a placa do rolo compressor que passou em cima do Brasil no Mineirão.

Além do sacode, que será superado, como muitas tragédias (de verdade) também foram, o que vai ficar é a velha sina de brasileiro enaltecer derrotas. Sim, elevamos nossos revezes a quilate superior aos nossos triunfos. Vencemos 5 copas do mundo. A primeira, oito anos após o chamado Maracanazzo, quando o Brasil foi derrotado, de virada, para o Uruguai, na final do Mundial de 1950. Na ocasião, a tragédia teve como principal carrasco o finado goleiro Barbosa, que carregou até o túmulo o peso de ser o "único" culpado pelo fiasco brasileiro. O 8 de julho de 2014, admito, ficará sempre na memória do torcedor.

A nova família Scolari não deu conta da Alemanha que passou por cima do Brasil como uma legítima blitezkrieg (doutrina militar alemã que ficou famosa por aniquilar inimigos de forma relâmpago na Segunda Guerra). Apesar do atropelamento, o Brasil, lembre-se, ainda é o maior vencedor de copas mundiais. Isto não quer dizer que não devemos nos atualizar (sim, amigos, o futebol mudou e estamos na paisagem do retrovisor de adversários já há alguns anos, é fato).

A necessidade de planejamento, atualização de nossos treinadores e, principalmente, dirigentes, contudo, não pode ser confundida com derrotismo. Quando não nos inebriamos com a arrogância de nos acharmos a única pátria de chuteiras no mundo, mergulhamos na melancolia de derrotas passadas reprisadas à exaustão.

Assistimos a relatos dramáticos de 1950 o mundial inteiro. A derrota foi enaltecida a todo o tempo e foi protagonista perante os sucessos que vieram em sequência. Muito se falou em vingarmos o Maracanazzo. Para mim, ele foi vingado na Suécia, quando o Brasil venceu o primeiro mundial.

Ou somos vira-latas ou rotweillers. Em meio à essa bipolaridade, não poderíamos ser cães pastores, alemães de preferência?

A Alemanha levou seis anos para formar o time, hoje finalista. Felipão substituiu Mano Menezes (?) há dois anos no comando da Seleção da CBF presidida por José Maria Marin (?), que será sucedido por Marco Polo Del Nero (?). É... essa derrota doeu tanto ou mais que 1950, e aquela vez então que perdemos para....

Luiz Beltramin é jornalista

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