Já diz a esperteza dos pessimistas que nada está tão ruim que não possa piorar. Com uma vitória nos pênaltis, a Argentina carimbou sua vaga na decisão. Eles estarão no Maracanã em busca do tri.
Graças ao goleiro Romero, que repetiu Taffarel em 1998 ao pegar dois pênaltis na semifinal contra a Holanda. Tomara que o roteiro seja seguido à risca e a Argentina leve três na decisão.
Depois do vexame dos vexames, a Copa das Copas mostra porque recebeu esse título. Nos apresentou uma Costa Rica jogando o fino da bola, fez entender porque o poderoso Real Madrid vai abrir os cofres pelo colombiano James Rodríguez e, por fim, reservou com justiça poucas vezes vista no futebol, a melhor seleção (Alemanha) contra a equipe do melhor dos últimos tempos (Messi) para a disputa da grande final.
Fez mais ainda ao valorizar a disputa pelo terceiro lugar. Essa partida tão sem graça e sem gosto quanto dançar com a irmã e beijar a prima, dará a chance do Brasil descontar na Holanda a eliminação de 2010.
Entendo quem defende que a derrota acachapante para os alemães deve ser lembrada e servir como exemplo para que nada parecido se repita jamais. Esquecer pode não ser o caminho correto agora, tampouco o mais honroso. Mas, na hora do desespero, é o menos doloroso. Eu, por exemplo, já estou sarando. Só dói quando eu respiro.
Perder, ganhar, ter dignidade. O esporte é fundamental para ensinar a lidar com situações da vida. Na última terça-feira aprendemos pelo menos uma nova lição. A de que uma desgraça pode ser amenizada com a glória, mas só será esquecida em caso de uma desgraça maior ainda.
Moacir Barbosa Nascimento, mais conhecido como Barbosa, goleiro do Maracanaço, morreu em 7 de abril de 2000. Carregou até a morte o fardo da derrota e levou para seu túmulo uma injusta culpa pelos 2 a 1 contra o Uruguai, em 1950. Decepção que, pensávamos, jamais seria superada. Foi, e com requintes de crueldade. Como lembrou o ‘Diário de Pernambuco’ em sua feliz manchete de ontem, um dia tão infeliz para o brasileiro. A goleada da Alemanha humilhou o País do Futebol, mas redimiu Barbosa. Enfim, descanse em paz.