"O Brasil não é para amadores, é para profissional"
Tom Jobim
Do céu ao inferno. O Brasil realmente é um País de contrastes. Vejamos a Copa do Mundo. Um furor oposicionista para que o evento não desse certo por essas terras. O México realizou dois Mundiais com pleno sucesso, não é uma economia de primeiro mundo. A "roubalheira" no esquema de venda de ingresso envolve gente graúda da própria Fifa e não os nativos. Mas todo esse clima contaminou a "Seleção Brasileira".
A síndrome do vira-lata tão bem definida por Nelson Rodrigues é uma instabilidade emocional que cobra de nossos jovens um país potência que não será conquistado em tão pouco espaço de tempo.
Em 1950, "amarelamos" contra o Uruguai, derrota antológica que nos redimimos posteriormente para vencermos cinco Copas do Mundo.
Mas há outras "instabilidades" no elenco canarinho como a Copa da França em 1998, com Ronaldo sofrendo convulsão e sem condições de disputar aquela final. Perdemos para os donos da casa num jogo até hoje não muito bem explicado.
Nesta Copa em solo pátrio a pressão foi muito grande. Um bombardeio deliberadamente para não dar certo. Afinal, um torneio mundial em ano de eleição num País que pleito presidencial já foi decidido na manipulação de um debate de televisão tudo é possível. Temos uma atração pelo complexo de inferioridade.
Ou o "caos" anunciado antes da Copa foi fruto de algo imponderável?
Outro detalhe para o fracasso da Seleção de Felipão: o valor demasiado no motivacional, algo utilizado em empresas de capitalismo exacerbado para cumprir metas. Valorização do hino pátrio numa busca de introduzir um patriotismo que o brasileiro não tem. A última ditadura nos tirou o amor aos símbolos nacionais.
Fora isso, Copa precisa de jogador tarimbado e rodado. O que se viu em campo foi o jeito latino, emocional, de tentar resolver tudo pelo acaso com jogador inexperiente e apostando tudo em uma só estrela. O futebol não é mais assim. Equipes inferiores ao elenco brasileiro deram muito mais trabalho para Alemanha na primeira fase e nas oitavas de final. Está na hora de pensar o conjunto. Não adianta mais apostar no "lampejo" de um ou dois jogadores que podem fazer falta na hora "H".
Fora tudo isso, a Copa foi o bode expiatória da nossa incompetência em cobrar melhorias neste País. Essa forma despolitizada, sem liderança, sem partido, leva a esse "apagão" - não tinha nenhum líder em campo no escrete canarinho, reproduzimos um sistema sem comando, mas não devemos esquecer: o futebol é gerenciado por coronéis da bola, empresários da pior espécie possível que ganham milhões e venda de direitos televisivos a peso de ouro nada transparente que tirou o torcedor dos estádios. Nem quero aqui incluir a falência dos clubes, inclusive os do Interior, antigos celeiros de craques. Quem sabe o vexame do 7 a 1 faça o brasileiro acordar... ou continuar atordoado.
O autor é editor regional do JC