O Ministério de Minas e Energia informou ontem que há “risco zero” de desabastecimento de energia nas regiões Sudeste/Centro-Oeste neste ano. Em comparação com o mês anterior, quando o governo também divulgou uma previsão para a situação elétrica dessas regiões, houve melhora.
Até o início de junho, esse risco estava medido em 2,5%, percentual também abaixo do risco de déficit máximo estabelecido pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que limita em 5%.
No Nordeste, a previsão se mantém estável, também sem nenhuma possibilidade de desabastecimento até o fim de 2014.
Essas três regiões são as mais importantes para o abastecimento de energia do País.
O ministério não divulgou percentual de risco para a região Sul. Essa é, no entanto, a região onde há maior nível de abastecimento nos reservatórios das hidrelétricas.
O próprio Ministério de Minas e Energia reforçou que o aumento da temperatura do Oceano Pacífico e os ventos baixos observados no período indicam estabelecimento do fenômeno El Niño “de intensidade moderada”, o que fará com que siga ocorrendo precipitações na região com valores normais ou acima da média histórica.
A região Norte, que também contribui pouco para a geração de energia do País, apresenta reservatórios praticamente cheios, em 90,4% de sua capacidade.
No Sudeste/Centro-Oeste e no Nordeste, onde o governo diz haver risco zero de desabastecimento, esses reservatórios estão consideravelmente mais baixos. Com 35,6% e 35,3%, respectivamente, de sua capacidade preenchida.
As avaliações de longo prazo feitas pelo governo mantêm as mesmas previsões anunciadas há um mês. O que significa que, considerando o período de 2015 a 2018, o risco de déficit para as regiões Sudeste/Centro-Oeste permanece em 4%.
Distribuidoras terão empréstimo adicional de R$ 2 bi
O governo federal está negociando com bancos um aditivo ao empréstimo de R$ 11,2 bilhões para as distribuidoras de eletricidade que seja suficiente para, pelo menos, cobrir as liquidações do mercado de curto prazo de energia de julho e agosto, disse uma fonte que acompanha as negociações.
Segundo essa mesma fonte, o valor desse aditivo deve superar a casa dos R$ 2 bilhões.
Somente em julho, o montante que precisa ser liquidado pelas distribuidoras, e que não está coberto pelas tarifas de energia elétrica, é de R$ 1,3 bilhão, referentes às operações do mercado de curto prazo de maio.
Anteontem, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) adiou para 31 de julho o pagamento desse R$ 1,3 bilhão, que deveria inicialmente ocorrer até hoje.
O adiamento teve como principal objetivo ganhar tempo para achar uma solução para ajudar as distribuidoras a fazer a liquidação sem comprometer suas finanças.
No final de abril, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) assinou contrato de empréstimo dos R$ 11,2 bilhões com um sindicato formado por: Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú Unibanco, Santander Brasil, Citibank, BTG Pactual, Bank of America Merrill Lynch, JPMorgan e Credit Suisse.
Os recursos contratados na ocasião serviriam para cobrir as necessidades das distribuidoras ao longo deste ano, mas terminaram em junho diante dos altos custos das empresas com a compra de energia mais cara das termelétricas.