Por conta da maior exposição, os motociclistas são mais vulneráveis a acidentes de trânsito do que os demais motoristas. Para piorar a situação, eles não têm uma formação adequada nas autoescolas, porque as aulas práticas são ministradas apenas dentro de um circuito fechado, instalado no Centro de Treinamento para Motoristas e Motociclistas, no Jardim Marambá, em Bauru. Segundo especialistas, essa inexperiência agrava a situação e a direção defensiva surge como principal meio de evitar tragédias.
Dados da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) mostram que, só em 2014, 62,5% das mortes no trânsito são referentes a motociclistas. Dos 16 óbitos, dez foram sobre duas rodas.
O presidente da Associação das Autoescolas de Bauru (AAEB), Valdir Paulo Oliveira, reconhece que existe uma falha na formação do condutor e acrescenta que a legislação deveria ser mais rigorosa no tocante ao assunto.
“De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), para realizar a prova prática, os futuros condutores de motocicletas têm de fazer apenas um circuito fechado. Diante disso, as aulas ministradas são baseadas nesse percurso, tornando desnecessária a saída dos alunos pelas ruas com o intuito de conhecer o trânsito”, explica Oliveira.
O presidente da entidade, por outro lado, acredita que a legislação não exige um circuito aberto porque visa garantir a segurança dos instrutores e futuros condutores. “Nos carros, os instrutores têm pleno controle dos movimentos dos alunos, por meio de pedais complementares. Porém, nas motocicletas, esse domínio não ocorre”, diz Oliveira.
Mesmo assim, o representante do órgão defende aulas práticas nas ruas para que os futuros motociclistas conheçam o trânsito.
Fragilidade
Dados divulgados pelo engenheiro do setor de estatísticas de acidentes e geoprocessamento da Emdurb, Nelson Augusto Neto, confirmam que os motociclistas são bastante vulneráveis no trânsito. E não é somente nas ocorrências fatais.
Só neste ano, foram 3.250 acidentes em Bauru, sendo que 976 envolvem condutores de motocicletas.
Em relação ao mesmo período do ano passado, foram 3.810 ocorrências, sendo que, 1.084 estiveram relacionadas com motociclistas. Do total, houve, em 2013, 13 vítimas fatais, oito condutores de motos, três pedestres e dois motoristas.
“No total de acidentes, temos uma diminuição do ano passado para cá, porque as colisões pequenas não chegam a ser registradas mais. Contudo, o número de motociclistas que morreram em acidentes aumentou”, constata Nelson Augusto Neto.
O engenheiro acredita que a formação falha nas autoescolas, aliada à imprudência, imperícia, elevação da frota de veículos em 11% de um ano para outro e maior exposição por parte de motociclistas são as principais causas dos acidentes.
Perfil
O 1º tenente do Pelotão de Trânsito da Polícia Militar (PM), José Sérgio de Souza afirma que a Emdurb e a PM realizam um trabalho conjunto e diário de conscientização e fiscalização nas vias mais movimentadas, como o cruzamento das avenidas Rodrigues Alves e Nações Unidas.
Segundo ele, o perfil do motociclista na cidade são pessoas entre 18 e 34 anos e a prevalência é do sexo masculino. “Isso se justifica por serem pessoas economicamente ativas. A opção pela moto é justamente por ser uma forma mais rápida e econômica de se locomover. Porém, por conta da fragilidade, o motociclista é o ‘calcanhar de Aquiles’ do trânsito”, completa.
Fala Motociclista
Quais medidas você utiliza para garantir a segurança no trânsito?
“Conduzo motocicleta há quatro anos e sempre procurei andar devagar, olhando para todos os lados. Graças a isso, nunca sofri acidente. Por outro lado, muitos amigos já.” - Erikson Lima, 29 anos, vendedor
“Me cuido e presto mais atenção ainda nos outros, porque já bati em dois carros. Além disso, deixo a minha motocicleta sempre em ordem.” - Jefferson Ferreira, 21 anos, servidor público
“Fico atenta por mim e pelos motoristas de carros, que não respeitam. Conduzo motocicleta há cinco anos e sofri um acidente na avenida Cruzeiro do Sul.” - Isabela Cristina Porte Santesso, 18 anos, esteticista
“Obedeço à sinalização, ando com os equipamentos adequados, como capacete e luvas, além da atenção redobrada em mim e nos outros.” - Cosme Faustino do Nascimento, 34 anos, pintor
|
