Nacional

São Paulo lidera queda generalizada do emprego industrial no ano

Por Pedro Soares | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Num cenário de menor confiança de empresários, o emprego na indústria cai de modo disseminado neste ano. Atinge 15 dos 19 setores pesquisados e dez das 13 regiões pesquisadas, segundo o IBGE. O Estado de São Paulo, maior parque industrial do País, lidera a queda.

Dados divulgados ontem mostram que o emprego na indústria recuou 0,7% em maio frente ao mês anterior. Na comparação com maio de 2013, a queda é ainda mais forte, de 2,6%.

A retração acumulada nos cinco primeiros meses de 2014 é de 2,2%, e em 12 meses, de 1,7%.

Regionalmente, São Paulo lidera o fechamento de vagas neste ano, com recuo de 3,3%, ao lado do Rio Grande do Sul (4%), bem abaixo da média nacional (1,7%).

O Estado é o maior parque industrial do País e vive mais intensamente a crise do setor automotivo e de máquinas e equipamentos, ramos com grande peso na indústria paulista. “Todos os dados mostram uma perda generaliza do emprego, olhando tanto para os setores como para as áreas pesquisadas”, diz Abritta.

Setores

Mesmo setores apoiados pelo governo com a desoneração da folha de pagamento ou apoiado pelo IPI reduzido ou linhas especiais de crédito do BNDES vão mal.

Dentre eles, estão calçados e couro (queda de 7,7% no acumulado do ano), têxtil (-4,9%) e vestuário (-1,8%), que sofrem forte concorrência de importados.

Nessa lista ainda aparece madeira, com recuo de 1,4%. Todos são intensivos em mão de obra. “Eles têm um peso maior no emprego do que na produção da indústria”, diz Fernando Abritta, do IBGE.

O ramos de máquinas e equipamentos, que dá o tom dos investimentos na economia, responde ao pessimismo dos empresários e não deslancha nem com o crédito facilitado do BNDES. O setor é um dos principais destaques negativos da produção industrial neste ano.

O emprego nessa atividade, que também sofre com a concorrência de importados, caiu 4,9% de janeiro a maio, acima da média de 2,2% no País.

Futuro

O número de horas pagas, indicador que antecede o aumento do emprego, também segue negativo. Antes de contratar, empresários ampliam as horas de seus empregados para ocupar a capacidade ociosa de suas linhas de produção. Não é o que ocorre neste ano.

De janeiro a maio, as empresas cortaram em 2,7% as horas pagas a seus trabalhadores. Os destaques negativos ficaram com eletroeletrônicos, calçados e couros e produtos de metal.

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