Pela quarta vez o Brasil vai disputar o terceiro lugar de um Mundial. Até aqui, foram duas vitórias, em 1938 (4 a 2 sobre a Suécia) e em 1978 (2 a 1 sobre a Itália), e uma derrota, em 1974 (1 a 0 para a Polônia). Em nenhuma a Seleção jogou com o fardo que carrega hoje.
Passam dias, semanas, meses...daqui anos ainda estaremos discutindo o humilhante 7 a 1. Enquanto isso, a CBF desenha a manutenção de Felipão e sua turma.
Parreira, o treinador da posse de bola coordenou um time que vivia de lançamentos diretos. E Felipão, o paizão da “Família Scolari”, não conseguiu segurar a ansiedade de ninguém. Difícil defender.
Como resumiu Paulo Vinicius Coelho, o PVC, em sua coluna de anteontem na Folha de S.Paulo, perder de 7 a 1 “é como ser pego no ato da infidelidade com batom na cueca”. Não tem o que dizer.
Mas podemos mudar os próximos capítulos. Falam em Guardiola, Tite, Zico, Leonardo, até Gallo, que é um dos auxiliares desta Seleção. Na atual situação, vejo o primeiro com certa vantagem. Guardiola tem gabarito, estudou, implantou métodos vencedores, conhece o tal futebol globalizado e tem experiência com estrelas – sejam elas em campo ou acima do brasão, como nossas cinco.
É preciso entender, por exemplo, porque o melhor futebol do mundo não exporta treinadores. O próprio Felipão só conseguiu trabalhar em Portugal. No Chelsea, foi um fiasco. Luxemburgo chegou ao Real Madrid. Pergunte dele por lá: Bateu e voltou. No Oriente Médio, para onde costuma ir a maioria dos homens das pranchetas, os tradutores ajudam e o nível de exigência não é parâmetro.
Comandantes argentinos e chilenos fazem mais sucesso lá fora do que nós. O primeiro motivo é evidente: por falarem espanhol, são compreendidos. Mas não é o único. O treinador brasileiro ainda é muito passional. Na sombra dos talentos que surgem toda hora, deitamos em berço esplêndido.
Eis outra grande lição do esporte: É preciso treino, trabalho e dedicação. Estudar ainda é o melhor caminho. Inclusive para os professores.
A lógica diz que cerca de 70% desse grupo estará na Copa de 2018. Quem jogar hoje terá uma nova chance, contra a Holanda, outra excelente equipe. De duas, uma: ou jogam por nossa misericórdia, ou repetem o fiasco e se rendem aos pessimistas que anunciaram a nova tragédia. Salve-se quem puder.