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Mais um caso de acidente com animal escancara o problema

Bruna Dias e Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 4 min

Parece notícia repetida, mas não é. A rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), a Bauru-Marília, foi, mais uma vez, palco de acidente envolvendo animais soltos. Um circular atingiu um cavalo na altura do quilômetro 350 da rodovia, no sentido Bauru-Marília, nas proximidades do Núcleo Fortunato Rocha Lima, em Bauru. O animal morreu na hora.

Conforme a reportagem do JC apurou no local, o condutor, de 47 anos, estava guiando o circular para iniciar o trajeto da linha Nova Esperança Caic-Parque Vista Alegre, quando se deparou com dois cavalos na pista tentando pular o canteiro central. Não houve tempo para frear: o condutor acabou atingindo um deles.

“Foi muito rápido. Eu pisei no freio, segurei o volante com força, mas não deu tempo de evitar o atropelamento”, disse o motorista, que saiu do acidente com fortes dores no peito devido ao impacto contra o volante.

Apesar do susto, ele não precisou ser atendido. Já o cavalo morreu no local. “Foi a primeira vez que isso aconteceu em mais de 10 anos na profissão”, disse. O Policiamento Militar Rodoviário registrou a ocorrência e um caminhão guincho foi acionado para retirar o animal da rodovia. O caso poderia ter sido trágico, caso o veículo estivesse lotado.

O local é o mesmo onde três pessoas morreram e uma ficou gravemente ferida após um acidente semelhante, no dia 11 de dezembro de 2010. No final de outubro, do mesmo ano, um outro acidente entre moto e equino também matou um motociclista. A mulher do condutor e seu filho de 4 anos ficaram feridos.

Recorrente

As estatísticas de apreensões, autuações e multas do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Bauru, responsável pela captura dos animais nessas condições, comprovam que o problema se mantém.

Em todo o ano de 2013, foram 69 autuações e 42 multas. Já em 2014, até ontem, 31 autuações e 14 multas. Matematicamente, os dados mostram o que se percebe na prática: o perigo é constante.

Apesar das autuações e multas, a punição não é o que a população vivencia nas ruas e o que é noticiado pelo Jornal da Cidade ano após ano. A leitora Solange Baraldo, 52 anos, moradora de um condomínio residencial existente na avenida Mário Ranieri, relatou o drama de conviver com rebanhos de gado e até cabras dividindo o trânsito com os condutores.

“Eu fiz vários vídeos. Acho isso um absurdo, deve ser alguém que solta os animais naquela região para comer o mato que existe por lá. Ver um ou outro cavalo, ou vaca, até é comum, mas muitos assim, até dez juntos, é uma situação diferente”, queixou-se.

Recolhimento

Dentro da zona urbana de Bauru, quem recolhe animais de grande porte - como bois e cavalos que ficam pelas ruas ou estradas municipais - é o CCZ. Já nas áreas das rodovias, o serviço deve ser executado pelas concessionárias administradoras e pelo Departamento de Estradas Rodagem (DER).

Pontos

Do local do acidente de ontem, dava para ver outros cavalos soltos.

Segundo dados recentes da Polícia Militar, os pontos mais propícios para acidentes com animais nas pistas são as rodovias Marechal Rondon (SP-300), as rodovias Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294, a Bauru-Marília; e a SP-225, a Bauru-Jaú) e a rodovia Cesário José de Castilho (SP-321, a Bauru-Iacanga).


Até 10 denúncias diárias

A Divisão de Vigilância Ambiental recebe diariamente de sete a dez chamados de animais de grande porte soltos e pequenos em via pública. Segundo o departamento informou em nota, em muitos dos chamados, quando a equipe chega ao local indicado, os animais já foram recolhidos pelo proprietário ou não são encontrados.

Quem ver animais de grande porte soltos deve denunciar ao CCZ através do telefone 3103-8050 de segunda à sexta-feira, das 8h às 17h e nos demais horários, fins de semana e feriados através do 190 da Polícia Militar, que encaminha a solicitação ao serviço.

Após a apreensão dos animais, que são levados para o CCZ, o responsável tem o prazo de cinco dias para retirá-los. O responsável fica sujeito ao pagamento do valor único de R$ 98,79 pela permanência do animal nas dependências do órgão, e mais multa que varia de R$ 121,11 a R$ 4.602,00, conforme a gravidade da situação.

Nem todos os autos de infração geram multas pois o proprietário pode apresentar boletim de ocorrência indicando que o animal foi roubado ou furtado ou ainda provar que ele se encontra em situação de vulnerabilidade social e, por isso, não tem condições de arcar com o valor a ser pago pela multa. 

  • Serviço

Se os animais estiverem soltos em perímetro urbano, denúncias podem ser feitas no CCZ, pelo telefone (14) 3103-8050. Nas rodovias, devem ligar no 0800-0555510 ou acionar a ouvidoria do DER pelo e-mail ouvidoria@der.sp.gov.br.

 

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