Tribuna do Leitor

?Assim no campo como na vida?


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O título acima não é meu. "Se a menina roubava livros", por que não posso também roubar títulos que incitam, que mexem, que me fazem ir além? Que me questionem: e agora José? Muitos títulos e textos do JC mexem muito comigo. Às segundas-feiras é uma catarse. O mestre Jabbour, ao escrever, me faz entrar em parafuso: "Por que não pensei nisto antes?" "Puxa, realmente concordo!" E assim surgem os devaneios. Quantos textos usei desse articulista em minhas aulas e os estudantes tanto se extasiaram.

Agora vem mais este. Se nesta copa não ergueremos a copa, temos que erguer o corpo e seguir em frente. São muitas opiniões e explicações dos milhões de técnicos deste país, alem dos estrangeiros e alienígenas. Mesmo aqueles que, como eu, não são fanáticos, também opinamos. Isto é um direito sacramental. Após a leitura do texto do título acima, também refleti num campo que militei por muito tempo: a educação.

Vejo que muitas das nossas consequência, são decorrentes, também, da educação que ministramos neste país. A começar pela pregação embutida da escola, promovendo o individualismo e a competitividade. Se o dever da escola é despertar para o altruísmo, para o social e para o bem comum, na prática não é o que acontece no dever escolar.

Desde a lista do material escolar tudo leva a individualização. Tudo é para "mim". Minha bolsa, meu caderno, meu livro... e assim vai sucessivamente. Cada um na sua carteira, marcialmente postados um atrás do outro. Há escolas que aboliram esta posição arcaica, mas não aboliram esta postura.

A competição é para ver quem tira a melhor nota, quem é o primeiro da classe, quem é o maior, sempre pregando para o sucesso para o vestibular, um sistema antissocial e excludente. A maioria dos países que disputaram esta copa leva a Educação a sério. Este é o primeiro dever. Jogar bola é apenas uma atividade social.

Outro aspecto do campo, como na vida, é a substituição do novo pelo velho. Esta copa mostrou um número grande de jovens. Ótimo. São forças deste país. No meio deste século mais da metade da população brasileira estará envelhecida. Onde arrumarão tantos jovens para substitur os mais velhos? Nesta copa faltou a maturidade, a sabedoria também dos "tios", dos "paizãos". Juntos constituiriam realmente uma família desportiva. Hoje é ver se o rosto vende figurinhas. Assim, também na Educação está acontecendo isto. Que bom que cheguem os mais jovens para somar com os mais velhos. Assim, se um país se constrói com a juventude, ele somente se sustentará na força dos idosos. Isto no campo, como na vida. Para uns, utopia. Para outros, esperança. E "a esperança não decepciona" (Rm 5,5).

Prof. Ms. diácono José Rafael Mazzoni

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