Fim de Copa: bom motivo para viajar. Algumas opções ficam até 50% mais em conta, segundo operadores do setor. As ofertas são tão boas que, em alguns casos, nem é preciso muito tempo para planejar o passeio.
Depois de uma retração grande, em função dos preços praticados com a realização da Copa do Mundo e do medo de protestos por todo o país, a lei de oferta e procura está – mais do que nunca – em campo. E com uma vantagem: todo o setor está se movimentando e já se encontram promoções melhores do que as dos últimos anos, sem jogos do Mundial.
Como só a rede estadual volta em férias a partir deste 14 de julho, muita gente ainda pode fazer as malas. O mercado de turismo está mudando. E quem pode aproveitar as últimas semanas de recesso tem grandes vantagens, mas precisa pesquisar.
Edmar Bull, vice-presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), avalia: o setor deve mesmo ter crescimento ainda dentro de julho por causa das ofertas.
E exterior?
Muita gente anda pesquisando promoções na Internet, por exemplo. Houve um aumento de 20% de pacotes de viagens em agência online de turismo e basta dar um clique para ver que sobram oportunidades para locais paradisíacos.
“Entendemos que o mercado como um todo está movimentado, pessoas circulando, mas houve sim, desaceleração para o exterior. Acreditamos que neste segundo semestre esse quadro deve melhorar”, diz Adriane Gabriele, proprietária de agência de turismo , lembrando que “está havendo algumas promoções para destinos como os da América do Sul, em geral”.
Também a consultora de viagens Fernanda Pozza lembra que houve um comprometimento na procura das viagens também pelas diferentes datas de férias escolares adotadas em função da Copa nas redes pública e particular, “o que causou insegurança nas agências, já que temos que trabalhar com seis meses de antecedência para atender este grupo”.
Mas, agora, está otimista: “Já se vê um aumento significativo na procura por viagens”. E não só no final destas férias, embora ela lembre que, com as ofertas, passageiros que estejam com a documentação em dia, podem ir para Europa e Estados Unidos, especialmente Miami, que “está com preços similares a uma viagem dentro do Brasil”.
Classe A
Carmem Tech, também proprietária de agência, concorda que “a América do Sul, onde ainda conseguimos custo baixo foi o destino mais vendido por nós”. Carmem Tech, faz uma avaliação bem pé no chão e admite que “com certeza estas são férias atípicas, quem viajou em julho foi a classe A, de poder aquisitivo superior, o trabalhador da classe média, que costuma viajar com sua família nos meses de férias escolar, especialmente julho, este ano não conseguiu, pois os valores estavam bem maiores do que nos anos anteriores.
Ela conta a história de passageiros que desistiram de viajar dentro do Brasil neste período, por causa dos preços das companhias aéreas e relata que houve uma família que conseguiu comprar ingressos de última hora para o jogo do Brasil em Fortaleza (realizado dia 04) mas acabou indo de carro, “não dava para pagar R$ 4.000,00 de passagem aérea”.
Do mesmo pensamento que Carmem, o empresário Gonzalo Horta Perez, personal travel designer, lembra que o clima anterior à Copa estava “meio down, tipo, com críticas tipo ‘imagina na Copa e não vai ter Copa’, etc. Isso levou as pessoas com maior poder aquisitivo a optar por ‘assistir’ a Copa em outras parte do mundo e em alguns resorts do Nordeste, não necessariamente nas sedes.
Gonzalo lembra que os preços estavam nos meses entre março e abril “altos, aliás, muito altos, mas hoje já ocorre uma inversão e há ofertas de pacotes extremamente atraentes, o que ampliou a procura em outras faixas de renda.
‘Adoraram!’
Carmem Tech lembra que o medo de viajar para sedes da Copa, mesmo que sem assistir ao vivo as partidas, não se configurou. E cita um exemplo pessoal. “Meu marido e filhos conseguiram assistir Chile e Holanda em São Paulo e amaram tudo o que viram, famílias completas no estádio, muita segurança, pessoas prontas para ajudar, uma estrutura e organização invejável. Que bom seria se tudo continuasse assim!”.
E mais: agora com o final da Copa, tudo está com bons descontos, admite ela. “Tem passageiro já pagando em média 40% a menos. Isso em virtude da baixa ocupação porque as cidades-sedes, tendem a ‘esvaziar’”.
E há também o sentido contrário: aqueles que vieram para a Copa e gostaram tanto que vão para outros lugares. Isso no caso dos estrangeiros.
Adriana Gabriele conta de um grupo de clientes americanos que vieram para a Copa em Recife e como se encantaram com as belezas naturais e a biodiversidade do país “apesar de a seleção dos Estados Unidos ser desclassificada, aproveitaram a estadia no Brasil, para continuar conhecendo diversas capitais do nosso nordeste”.