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Empresários dos Brics querem usar moeda local em negócios

Por André Uzêda, Patrícia Campos Mello e Sofia Fernandes | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Empresários de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul querem o uso das moedas locais desses países nas transações entre si, sem a necessidade de conversão para outra moeda, como o dólar, e depois para a moeda local, gerando perdas. A proposta, feita pelos brasileiros, foi apresentada em reunião ontem, em Fortaleza (veja quadro), para discutir maneiras de fortalecer a integração econômica e intensificar investimentos entre eles.

O encontro empresarial dá início à sexta cúpula do Brics, grupo formado por essas cinco economias emergentes. A ideia é aproveitar a aliança política dos países membros do bloco, formalizado em 2009, para emplacar uma agenda econômica prática.

A primeira ação do grupo de empresários será encaminhar aos chefes de estado dos cinco países um relatório, com propostas e conclusões tomadas após um ano de diálogo.

Segundo Robson Braga de Andrade, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a proposta de uso de moeda local visa reduzir custos de transação.

Facilitar a emissão de vistos para empresários dos países do bloco também é uma recomendação do grupo empresarial dos cinco países, e a padronização de normas técnicas, também.

Banco

Os empresários confiam na criação do Banco de Desenvolvimento dos Brics, que será oficializado nesta cúpula, para facilitar comércio, negócios e investimentos e o uso das moedas locais nas operações. “O banco seria responsável pelo dinheiro transacionado. Isso seria fundamental, por exemplo, para o estabelecimento de empresas brasileiras no Exterior”, disse Andrade.

A instituição terá foco no financiamento de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em países em desenvolvimento, não apenas membros dos Brics.

O capital inicial do banco será de US$ 50 bilhões, que pode ser ampliado para US$ 100 bilhões. A posição majoritária é de divisão igualitária do capital, mas a China faz pressão para ter mais participação do que seus parceiros de bloco.

Sobre a postura da China como um competidor desleal, com produtos manufaturados a preços inferiores aos de mercado, Andrade afirmou que sempre houve reclamação entre empresários brasileiros em relação aos produtos chineses, mas que há mudanças em curso.

A China está sim “muito à frente” do Brasil no quesito infraestrutura, afirma Andrade, o que é uma grande vantagem competitiva para eles. Mas está competindo agora dentro de um ambiente diferente, mais enquadrado em questões trabalhistas e ambientais.

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