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Vereadores rejeitam ações paliativas

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Como já era esperado, o caos provocado pelo déficit de médicos na rede de urgência e emergência da Saúde de Bauru foi o principal assunto da tribuna da Câmara Municipal, na tarde de ontem. Os vereadores já repercutiram e problematizaram as alternativas apontadas pelo governo em reunião realizada na manhã de ontem.

Médico, Raul Gonçalves Paula (PV) pontuou que a administração municipal deve encontrar soluções duradouras, que não sejam calcadas na dependência de jornadas extras, cujos cumprimentos não são compulsórios.

“Se houvesse uma escala corrida, com sistema de 12 horas de trabalho por 36 de descanso, com remuneração de R$ 13 mil, esse problema não existiria. Todos os profissionais saberiam quando iriam trabalhar e seriam obrigados a ir, sem essa história de plantão extra. Hoje, quando não tem médico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), não é porque o profissional faltou. É porque não tinha alguém escalado”, explicou.

Raul é defensor da criação da carreira de médico socorrista para sanar o problema enfrentado, principalmente, aos finais de semana.

Ontem, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) e o secretário de Saúde, Fernando Monti, admitiram a possibilidade de contratação desses profissionais por meio da Fundação Regional de Saúde. Mas a alternativa é alvo de críticas mesmo por parte dos entusiastas da figura do médico socorrista.

Roque Ferreira (PT) é favorável à implantação dessa carreira, desde que por meio da administração direta. Ele observa que, se esses profissionais forem admitidos via fundação, na mesma rede de urgência e emergência, haverá profissionais atuando com modelos de contratação diferentes, o que poderá resultar em novos problemas e insatisfações da categoria.

Fabiano Mariano (PDT), que também articulou pela criação do médico socorrista durante a discussão do Plano de Cargos, Carreiras e Salários da Saúde (PCCS), estranha o porquê de, quatro anos depois, o governo admitir a possibilidade de acatar a antiga sugestão dos parlamentares.

“Há quanto tempo esperamos que haja diálogo entre a administração e a categoria? A prefeitura se vê refém, mas não enxergo a movimentação de peças para tentar resolver isso”, critica o vereador.

 

Contrapartida

Carlão do Gás (PR) e Roberval Sakai (PP) foram os únicos parlamentares a acompanhar a reunião realizada na prefeitura para discutir possíveis soluções para a crise. Ambos demonstraram otimismo com os caminhos apontados.

Carlão, por sua vez, cobrou responsabilidade por parte dos profissionais médicos em caso de acordo entre o governo e a categoria após reunião agendada para amanhã. “Não vamos poder aceitar que, daqui a um ou dois meses, alguns voltem a fazer ‘beicinho’”, cutucou.

Já para o líder do governo, Renato Purini (PMDB), a redução de jornada de 20 para 15 horas semanais não deve resolver o problema já insaturado, mas pode ser positiva para atrair mais médicos nos concursos públicos da prefeitura, que vêm, corriqueiramente, sendo fracassados.


Dois lados da moeda

Após a inauguração das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), dobrou a oferta de serviços de urgência e emergência em Bauru. Consequentemente, ampliou-se a defasagem na quantidade de médicos e de outros profissionais.

Presidente do Legislativo, Sandro Bussola (PT) disse ontem, porém, que a construção dessas unidades não pode ser apontada como a causa da crise. “Pelo contrário, as UPAs ajudaram a desafogar o Pronto-Socorro Central, que era um verdadeiro caos”.

Para Lima Júnior (PSDB) e Telma Gobbi (PMDB), o problema foi ter inaugurado as unidades sem planejamento para dotá-las de pessoal. “A questão é que o atendimento à população não é prioridade. Querem só descerrar placas para o programa eleitoral”, disparou.

Renato Purini (PMDB) defendeu que a gestão das UPAs passe para a Fundação Regional de Saúde.


Esquentou

Markinho da Diversidade (PMDB) e Faria Neto (PMDB) protagonizaram o momento de maior calor nas discussões de ontem. O primeiro afirmou que a mão de obra médica escassa faz com que vigore a lei da oferta e procura. Em seguida, leu, na tribuna, o Juramento de Hipócrates, declarado pelos profissionais médicos no ato da graduação.

Na mesma hora, Faria, cuja esposa é médica da rede municipal, questionou se o colega do PMDB estava sugerindo que a categoria não cumpre o juramento. Acuado, Markinho respondeu que o trecho em que os profissionais dizem que a saúde dos pacientes deve ser colocada em primeiro lugar não está sendo cumprido nas UPAs aos finais de semana.

Além de Faria, a declaração revoltou os parlamentares médicos: Raul Gonçalves Paula (PV), Paulo Eduardo de Souza (PSB) e Telma Gobbi (PMDB). De modo geral, argumentaram que a responsabilidade da crise não é dos profissionais. “O prefeito é refém da inoperância do serviço público”, bradou a vereadora.

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