O doleiro Alberto Youssef é acusado, em nova denúncia do Ministério Público Federal, de ter ajudado o deputado José Janene (PP-PR) a dar uma aparência legal a recursos que recebeu do esquema do mensalão.
Janene foi réu do mensalão, mas morreu em 2010 de problemas cardíacos antes que a ação penal fosse concluída. Ele recebeu R$ 4,1 milhões do esquema do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, segundo as investigações do mensalão. O esquema montado pelo PT visava obter apoio no Congresso de partidos aliados, como o PP.
Uma parte do dinheiro do mensalão repassado a Janene (R$ 1,17 milhão) foi usado pelo parlamentar para criar em 2008 um empreendimento industrial em Londrina, a Dunel Indústria.
Na nova denúncia, procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato acusam Youssef de ter repassado R$ 618,4 mil a uma empresa de Janene. O doleiro usou uma empresa que controlava, a CSA Project Finance, para fazer o repasse.
Outro doleiro, Carlos Habih Chater, intermediou o repasse de R$ 537,3 mil do esquema do mensalão para Janene, de acordo com a denúncia dos procuradores.
Para dar uma aparência legal a parte dos recursos, o doleiro simulou que a CSA emprestava para uma empresa que ajudava a constituir o empreendimento industrial em Londrina.
Uma filha de Janene, Danielle Kemmer Janene, também é acusada de ter participado da lavagem de dinheiro. Os dois doleiros estão presos desde 17 de março deste ano.
Youssef é acusado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, de comandar um esquema de lavagem que teria movimentado R$ 10 bilhões.