Depois de “aceitar o pedido de demissão” de Scolari e Parreira, a CBF dispensou mais uma turma. Foram embora o médico Luis Runco e Rodrigo Paiva que, após 12 anos, não é mais diretor de comunicação.
José Maria Marin prometeu dar uma entrevista coletiva amanhã para não se sabe o que. A expectativa é que anuncie o novo técnico.
Mas a reformulação no futebol brasileiro vai muito além da troca de treinador, comissão técnica ou assessoria de imprensa. Passa por quem está demitindo.
Engraçado ver que quem clama por mudança e novos ares são dirigentes que, curiosamente, fazem parte do esquema da CBF já faz tempo. São os presidentes das federações estaduais os maiores interessados na continuidade do sistema. E ainda têm a cara de pau de atirar pedras.
Um rápido levantamento aponta que 16 dirigentes dominam o futebol em seus Estados há mais de dez anos.
Delfim Pádua Peixoto Filho, presidente da Federação Catarinense que chamou Felipão de “ultrapassado e obsoleto”, está na função há 29 anos. Carlos Orione, conhecido como “Barão”, é presidente da federação do Mato Grosso desde 1976 e tem mandato garantido até 2017.
José Gama Xaud manda e desmanda no futebol de Roraima há 40 anos e só implantou o profissionalismo por lá em 1995, 21 anos depois que já estava no poder. Ele faz parte do sistema falido que comanda o rico futebol brasileiro. Foi dele um dos 44 votos que elegeram Marco Polo Del Nero, desde 2003 à frente da Federação Paulista, como o próximo presidente da CBF. Entidade que, no começo da semana, anunciou reajuste de 12% nas taxas administrativas.
O futebol que procura uma saída após um vexame monstruoso na grama, nada na grana. Nos últimos cinco anos, a receita da CBF teve crescimento de 93% - saltou de R$ 236,6 milhões em 2009 para R$ 436,5 milhões em 2013.
João Havelange, Ricardo Teixeira, José Maria Marin e agora Del Nero. Quem acredita em mudança?
Lá vamos nós atrás de um técnico salvador, fabricar um novo craque, procurar a outra perna do Saci. Enfim, correr atrás de respostas rápidas e esquecer das perguntas.
Já disse Chico Buarque que algumas pessoas têm medo das mudanças. Eu tenho medo que as coisas nunca mudem.