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O fortalecimento dos Brics

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Talvez o economista inglês Jim O?Neil não imaginasse em 2001, quando pinçou a siga Bric para os países emergentes com potencial econômico para superar as potências mundiais em 50 anos, que a atuação dos países envolvidos chegasse ao ponto atual. Inicialmente sem a África do Sul (por isso Bric), Brasil, Rússia, Índica e China partiram de uma designação econômica para se tornarem realidade econômica como bloco. Quando virou Brics em 2011 (já incorporando a África do Sul), a dimensão das economias juntas apontou que o caminho seria fortalecer este bloco econômico.

Os cinco países juntos representam 21% do Produto Interno Bruto Mundial. Possuem 42% da população do planeta, garantindo 45% da força de trabalho do mundo e representam, juntos, o maior poder de consumo do planeta. Possuem estoques de recursos naturais abundantes e juntando a escala que se tornaram, é possível sim imaginar que poderão desbancar as potências econômicas mundiais, como previu O?Neil.

Em reunião no Brasil, em Fortaleza, foi dado um grande passo para este fortalecimento: a criação de um banco destes países. O aporte uniforme de 20 bilhões de dólares de cada país fez com o banco seja projetado com capital inicial de 100 bilhões de dólares. Não é um volume de recursos para fazer estragos, mas já indica o caminho. Mesmo tendo à economia chinesa com maior robustez a participação proporcional garante igualdade nas decisões.

É evidente que este movimento não agrada muito a cúpula dos países desenvolvidos. Tanto Estados Unidos como parte dos países europeus entendem que poderá haver um enfraquecimento de outros blocos, notadamente do Fundo Monetário Internacional, mas entendo que o caminho a ser trilhado é este mesmo. Não é possível continuar operando o comércio internacional e as finanças do mundo com as fragilidades impostas por estas grandes potências. Chega um momento que é preciso romper o modelo vigente.

O próprio papel do Fundo Monetário Internacional precisa ser revisto. Auxiliar economias com desequilíbrios em contas externas, indicando remédios amargos, recessivos, que derrubam a qualidade de vida das populações envolvidas, não tem mais espaço. É evidente que são passos iniciais para tornar os Brics fortes, mas é preciso criar condições para isso ocorra. O tom adotado no encontro aqui no Brasil caminha no sentido deste fortalecimento.

O autor é economista e articulista do JC

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