Parece um tanto quanto oportunista, de minha parte, comparar nossa Seleção Nacional com o clube de meu coração, o Esporte Clube Noroeste, após uma humilhante derrota da seleção Brasileira. Mas o que proponho nesta democrática tribuna é uma reflexão entre as causas e consequências que afetam o esporte preferido do brasileiro. Ainda não me conformo, mesmo residindo tão distante de minha cidade, em ter que aceitar que a Maquininha dispute a quarta divisão do Paulista, da mesma forma que não aceito o resultado do jogo Brasil x Alemanha. Mas pensando racionalmente, o Noroeste é em parte vítima do atual modelo de gestão do futebol nacional e mundial, em que paixão virou sinônimo de mercado, e assim os clubes viraram grandes organizações, a CBF uma mera gestora de patrocínios e os torcedores o mercado explorado. Até aí, tudo certo, afinal, estamos apenas seguindo uma tendência mundial. Apenas creio que essa transição, do futebol paixão para o futebol negócio, desconsiderou a história e as peculiaridades do futebol em nosso país, e nós, torcedores, não percebemos a gravidade dessas mudanças para o futuro. Aqueles clubes que sempre exerceram papel crucial para nosso futebol, os clubes do interior, que sempre revelaram grandes jogadores, e que assim se mantinham à base da lei do passe, hoje estão desamparados, desassistidos pelas federações estaduais e CBF, lutam para viabilizar recursos e talvez manter uma estrutura mínima e com as porta abertas. Talvez vivam uma boa fase no futuro, cheguem à primeira divisão, mas será passageira, logo logo estarão novamente lutando para sobreviver. Que mercado teria o Noroeste? O XV de Jaú?
Qual seria a razão da existência desses clubes se não fosse pela paixão de poucos, mas fiéis torcedores? Lamento, mas se dentre esses fiéis torcedores não tivermos um grande empresário, a dificuldade se fará presente e a consequência é que o valor que definirá os rumos de nossa paixão pelo futebol será o valor monetário. A consequência então será essa, um país onde não se revelam mais grandes craques, daqueles que o futebol corre no sangue, um país sem atacantes, onde os jogadores anseiam cada vez mais cedo a independência financeira assinando um contrato com o exterior, onde prevalece o assédio de empresários a jovens ou por vezes crianças, a cada evento patrocínios volumosos, jogadores lançando produtos e virando grifes, e aqueles clubes, que um dia foram importantes para o país, revelando jogadores e sendo a base de nosso futebol, lançados à própria sorte. De agora em diante, o futebol brasileiro já não é mais o mesmo, essa é a realidade, vivemos em 08/07/2014 o ponto máximo desta transição, essa é a consequência da arrogância dos cartolas e do descuido de todos nós, amantes do futebol. Que um dia o futebol mágico, moleque e faceiro volte, que os pequenos se ergam, que voltem a brilhar e, aí sim, consequentemente, nossa seleção voltará a ser a gigante que sempre foi. Volta Brasil. Volta Norusca. Volta futebol!
Ricardo Alexandre Fahl - Porto Alegre ? RS