Esportes

Para dono da Match, diretor negociou de forma legal ingressos

Por Cristina Grillo | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Na avaliação do mexicano Jaime Byrom, presidente das empresas Match Services e Match Hospitality, se tivesse sido revelada em sua íntegra, a conversa telefônica entre o inglês Raymond Whelan, 64 anos, e o franco-argelino Mohamadou Fofana, anexada ao processo de venda ilegal de ingressos para a Copa, mostraria uma negociação perfeitamente legal entre as duas partes.

Na conversa, Fofana diz a Whelan que talvez precise de 20 pacotes, com sete jogos cada, e Whelan informa que tem 24 disponíveis, cada um deles a US$ 25 mil.

De acordo com Byrom, a conversa mostraria que os dois negociavam os chamados pacotes hospitality para os sete jogos realizados no Maracanã, inclusive a final, na categoria business seat - assentos mais confortáveis do que os comuns nos estádios.

Além do lugar no estádio, os pacotes dão direito a bufê, bebidas, acesso especial e estacionamento. Na tabela de preços apresentada por Byrom nesta quinta-feira (17), este pacote custa US$ 24.750, com compra mínima de quatro deles. Não é o mais caro. A mesma quantidade de jogos no pacote Bossa Nova Studio custa US$ 40.250.

"Não era um único ingresso por um preço extraordinário, mas um pacote de serviços. Não há nada de extraordinário no que eles falavam por telefone", afirmou.

Byrom afirmou que em janeiro, Ivy Byrom, sua irmã e sócia na empresa, casada com Whelan, o procurou pedindo que reservasse 40 pacotes hospitality de jogos no Rio para serem vendidos ao setor hoteleiro da cidade. Juntos, somavam US$ 990 mil.

No final de maio, Ivy avisou que só 14 tinham sido vendidos. Executivos da empresa, Whelan entre eles, foram mobilizados para vender os pacotes restantes.

Contrato apresentado à reportagem mostra que a empresa de Fofana, Atlantis Sportif, já tinha comprado o equivalente a US$ 121 mil em pacotes de ingressos e serviços.

"De nossa perspectiva, ele [Fofana] era um cliente como vários outros e estava em seu direito de ligar para Whelan para tentar comprar mais pacotes, assim como qualquer um de nossos clientes", afirmou o presidente da empresa.

Na quinta (10), quando policiais foram ao Copacabana Palace para prender Whelan, apreenderam em sua suíte 82 ingressos. Para a polícia, eles provariam o envolvimento do executivo da Match com a quadrilha de cambistas.

Jaime Byrom afirma que passada uma semana da apreensão a polícia ainda não entregou aos advogados de Whelan um recibo listando o que foi apreendido. "Sabemos com toda certeza serem ingressos de nossa propriedade, mas não temos um documento especificando o que foi apreendido, para que possamos provar a posse", afirmou.

Procurada, a Polícia Civil não tinha se pronunciado até a conclusão desta edição.

Entre os ingressos, havia pacotes hospitality não vendidos, de jogos passados e outros que seriam usados pela família Byrom, sócios e convidados para assistir à partida final da Copa.

O presidente da empresa disse desconhecer as outras dez pessoas presas preventivamente sob acusação de envolvimento com a quadrilha.

Nesta quinta, os advogados de Ray Whelan entraram com um novo pedido de habeas corpus, dessa vez no Superior Tribunal de Justiça.

O inglês está preso desde segunda (14) em Bangu 10. Byrom disse que sua irmã, Ivy, e os dois filhos de Whelan o visitaram na quarta (16).

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