Foi marcado por empurra-empurra o início da eleição para diretoria do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Bauru (Seessb), ontem. Houve tumulto envolvendo as três chapas que disputam o pleito e a Polícia Militar (PM) teve que ser acionada no local. Dois boletins de ocorrências (BOs), um por ameaça e outro por danos, foram registrados.
O primeiro boletim foi feito pelas chapas 2 e 3, de oposição, presididas pelos agentes de saúde Noel Moreira e Silvia Ponce, respectivamente, e o segundo pela chapa 1, da situação, presidido pela atual presidente do Seessb, Vera Lúcia Salvadio, que ocupa o cargo há cerca de duas décadas.
Por conta do ocorrido, as chapas 2 e 3, que alegam terem ficado de fora da eleição, protocolaram uma petição na 1º Vara do Trabalho pedindo a anulação do pleito. Até o fechamento desta edição, contudo, não havia decisão sobre o assunto.
Se a eleição não for anulada, a apuração dos votos acontecerá por volta das 12h, na sede do Seessb. A previsão é de que as urnas cheguem ao local por volta das 8h30.
Vale lembrar que esta é a terceira vez, somente neste ano, que o sindicato tenta realizar o pleito, que possui histórico conturbado. Em abril e maio, a Justiça suspendeu dois processos eleitorais por conta de divergências no edital, que teve que ser modificado pelo sindicato a pedido da oposição (leia mais abaixo).
Confusão
Segundo o JC apurou, a confusão ontem teve início por volta das 5h30, horário em que as urnas iriam deixar a sede do sindicato, que fica na quadra 12 da rua Cussy Junior, no Centro, para seguirem, acompanhadas dos representantes de cada uma das chapas, até hospitais, clínicas e ambulatórios da cidade e de municípios da região.
Em tempo: o processo foi composto por oito urnas ao todo. Quatro delas teriam sido fixadas nos hospitais Beneficência Portuguesa, Unimed, Base e Estadual. O restante se dividiu entre outras unidades de Bauru e também se deslocou pela região.
No momento em que alguns carros saíam do local, várias pessoas foram vistas tentando impedir a saída, o que gerou tumulto e atraso de quase uma hora para o início da eleição nos pontos de votação. A oposição alega que os carros teriam saído apenas com representantes da chapa da situação.
A confusã só teria acabado após a intervenção da Polícia Militar, que já estava pelo local. Outro tumulto envolvendo o processo eleitoral teria sido registrado também na manhã de ontem nas imediações do Hospital Estadual, segundo o Seessb.
“A chapa 2 tentou fazer boca de urna lá e convencer o pessoal de boicotar a eleição”, diz Júlio Fogaça, advogado da chapa da situação.
Divergência
Os representantes das chapas que disputam o pleito foram divergentes no relato do acontecimento. “Um vídeo gravado mostra claramente que a oposição queria impedir os carros de saírem. Desde o início, eles tumultuaram o processo. Não queriam que a eleição acontecesse. Mas não sabemos o porquê. Temos tudo fotografado e documentado para provar que tudo foi feito conforme a lei”, aponta o advogado da chapa da situação, Júlio Fogaça.
“Os carros eram alugados pelo sindicato para o deslocar as urnas e tiveram retrovisores quebrados e portas amassadas. Registramos o BO”, completa o advogado.
Já a chapa 2, por meio de sua assessoria de imprensa, disse que o ato em questão teria sido provocado pela chapa da situação para burlar o processo eleitoral. “Fomos reféns de uma situação provocada pela chapa 1. Eles não autorizaram a entrada dos representantes das demais chapas nos carros e seguraram o pessoal, descumprindo o que a Justiça havia determinado. Quem conseguiu entrar, foi colocado para fora algumas quadras depois. Eles encheram o carro com pessoal só deles, por isso houve o tumulto”, refuta a assessora Joice Bezerra.
A mesma reclamação foi feita pela chapa 3, por meio do advogado Hudson Chaves. “Eles (a situação) fizeram de tudo para que a eleição não acontecesse. Desde que chegamos lá, antes das 5h, já havia certo tumulto. Eles nos impediram de protocolar a identidade das pessoas que seguiriam com as urnas. Nosso pessoal foi praticamente expulso”, comenta o advogado. “Inclusive, havia seguranças armados lá, dentro e fora dos carros, ameaçando o pessoal das chapas 2 e 3. Registramos até boletim de ocorrência por conta das ameaças recebidas”, ressalta Chaves.
Questionada, a chapa 1 nega que tenha contratado qualquer tipo de segurança para acompanhar o pleito. “Se havia segurança, a contratação partiu das outras chapas. Cada chapa fica responsável por fiscalizar”, argumenta Fogaça.
Histórico conturbado
A polêmica em torno das eleições conturbadas do Sessb não é recente. Em 2009, o mesmo sindicato teve uma eleição anulada em plena apuração dos votos, após denúncias de nepotismo e impedimento de fiscalização da eleição pelas chapas da situação e oposição, na época presididas por Vera Salvadio e por Silvia Ponce, respectivamente.
A chapa do auxiliar de enfermagem Noel Moreira participa do pleito pela primeira vez neste ano. A troca de diretoria e presidência da entidade ocorre a cada cinco anos.
O Seessb representa cerca de 5 mil trabalhadores da área da saúde em Bauru e nos municípios de Agudos, Arealva, Duartina, Iacanga, Guarantã, Pirajuí, Piratininga e Presidente Alves.