Regional

"Esposa encomendou crime"

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Acontece Botucatu/Divulgação

Polícia apura envolvimento da irmã da acusada

Uma mulher de 57 anos foi presa pela Polícia Civil de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) acusada de encomendar o assassinato do próprio marido, corretor de imóveis de 68 anos, de nacionalidade portuguesa, em abril deste ano.

Os executores do crime são quatro adolescentes, entre 14 e 16 anos, e um jovem de 19 anos. Segundo a polícia, eles disseram que receberam R$ 300,00 pelo “serviço” e confessaram o homicídio com riqueza de detalhes.

De acordo com o delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Botucatu, Celso Olindo, investigações revelaram que a dona de casa Antônia Eleta Santucci, a “Preta”, contratou três meninos, de 14, 15 e 16 anos, e menina de 16 anos, para “dar um susto” no seu marido, Laurindo Pires Marques.

O delegado diz que os quatro adolescentes estudam na mesma escola e que a “contratação” teria sido intermediada pela professora deles, de 51 anos, irmã de Antônia, que também está presa. “Inicialmente, eles disseram que era para dar um susto no marido dela porque ela estava reclamando que tinha sido agredida por ele”, revela.

No dia 26 de abril, segundo Olindo, a dona de casa teria buscado os adolescentes e Leandro Rogério Telles, 19, em seu próprio carro, um Fox prata, e os levado até a sua residência, no Lavapés. “Ela silenciosamente entrou na casa, voltou com revólver, e falou que o marido estava na sala”.

O delegado conta que Antônia presenciou a morte. “Na sala, puseram corda no pescoço dele, deram duas voltas e ficou um adolescente em cada ponta puxando, inicialmente sem força”, afirma. Nesse momento, a dona de casa teria questionado o corretor sobre suposta traição e cobrado a transferência de bens para o seu nome.

Em seguida, de acordo com o titular da DIG, ela teria dado ordem ao grupo para que o marido fosse morto.

O corpo da vítima foi colocado em sua Montana e levado por Leandro até proximidades de um canavial no bairro Ouro Verde, onde foi encontrado no dia seguinte. Antônia e os adolescentes também seguiram para o local no carro dela.


Mensagem

Logo após o assassinato do marido, de acordo com o delegado, Antônia usou o celular dele para mandar uma mensagem de texto para ela com o objetivo de ocultar o crime. No texto, ele a chamava de “Preta”, pedia perdão e dizia para ela procurar um amigo para pedir orientação e receber dinheiro. “A mensagem denota que ele ia praticar suicídio ou sumir da cidade”, conta. Segundo Olindo, os acusados ainda tentaram amarrar o corretor de imóveis no galho de uma árvore para simular um suicídio por enforcamento, mas não conseguiram e acabaram abandonando-o ao lado de seu veículo.


‘Fugiu do controle’, diz mulher

Anteontem, a dona de casa, irmã dela e Leandro foram presos temporariamente por trinta dias. “Ela [Antônia] alega que, não por vontade dela, a situação fugiu do controle”, declara.

O delegado não divulgou a identidade da irmã professora por ainda estar avaliando a participação dela no crime.

Segundo ele, três adolescentes (o quarto estava apreendido por roubo) também foram recolhidos e confessaram o crime.

Três deles disseram que receberam, cada um, R$ 300,00 e, o quarto, R$ 100,00.

“Os detalhes demonstram que, realmente, eles participaram e que ela [Antônia] estava lá”, diz.

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