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Seca dobra número de queimadas

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

A escassez de chuvas, somada à falta de conscientização da população, provocou uma explosão no número de ocorrências de incêndio em mata no primeiro semestre deste ano, em Bauru. Segundo levantamento do Corpo de Bombeiros, o volume de casos dobrou no período, em comparação aos primeiros seis meses do ano passado.

Os dados incluem somente os incêndios registrados em vegetação natural, como matas nativas e pastagens. De janeiro a junho de 2014, foram 584 chamados atendidos – uma média de três casos por dia-, ante os 279 contabilizados na primeira metade de 2013.

“Acreditamos que este salto está intimamente relacionado à seca. O volume de chuvas neste ano não foi tão intenso como no ano passado”, considera o tenente Victor Félix Tozi Bonfim, do Corpo de Bombeiros.

De acordo com estatísticas do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), nos primeiros seis meses deste ano, o acumulado chegou a 495,7 milímetros de chuva, o mais baixo dos últimos quatro anos. Coincidentemente, o volume equivale à metade dos 967,5 milímetros contabilizados no primeiro semestre de 2013.

Tozi explica que, devido aos longos períodos de estiagem, a vegetação fica seca, favorecendo que até mesmo pequenos focos de incêndio se alastrem. “Além de o número de ocorrências aumentar, a proporção de cada incêndio também tende a ser maior quando há falta de chuvas. Às vezes, começa em um terreno baldio, mas acaba atingindo uma área de mata vizinha”, observa.

E, na esmagadora maioria dos casos, os incêndios são provocados pela ação humana, conforme destaca o tenente do Corpo de Bombeiros. Trata-se de uma atitude inconsequente que gera prejuízos à população, ao meio ambiente e sobrecarga nos serviços prestados pela corporação e pelo sistema público e privado de saúde.

“Os bombeiros atendem a uma diversidade muito grande de ocorrências. Enquanto uma viatura trabalha para combater um incêndio provocado por alguém, deixa de atender a alguma outra demanda da sociedade”, pondera.

Danos

Coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito faz o mesmo alerta. Principalmente durante o inverno, a baixa umidade relativa do ar e os períodos prolongados de estiagem, por si sós, já desencadeiam uma série de problemas de saúde na população.

Com o agravante da fumaça que se espalha nas imediações dos locais onde incêndios são registrados, os riscos se tornam ainda maiores. “Com isso, as unidades de pronto atendimento de cidade tendem a ficar sobrecarregadas de gente com problemas respiratórios. São pessoas que, muitas vezes, não precisariam estar ali não fosse as péssimas condições do ar”, argumenta.

Um exemplo recente foi o incêndio registrado na fazenda Santo Antônio no final do mês passado, quando grande parte da cidade ficou imersa em uma nuvem de fumaça e ruas e quintais de residências foram tomados por fuligem. Na ocasião, diversas equipes do Corpo de Bombeiros foram mobilizadas, além de um avião contratado pela Defesa Civil e do helicóptero Águia da PM.

Além de transtornos como este, Brito cita os imensos prejuízos à fauna e à flora, quando áreas de mata nativa são atingidas. “Muitos desses animais são importantes para a cadeia alimentar e para manter o equilíbrio de cada bioma. O dano é enorme e, muitas vezes, irreversível”, pondera.

Chuva dá trégua aos bauruenses, mas o tempo seco deve retornar

Ontem, em Bauru, a chuva que chegou durante a madrugada e se estendeu pela manhã serviu para dar um alívio neste período de precipitações escassas. Mas, nos próximos dias, o tempo deve voltar a ficar seco, segundo previsões do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

O aumento da nebulosidade e as pancadas de chuva, que elevaram os níveis de umidade relativa do ar, foram trazidos por uma frente fria oriunda do Sul do País, que já começou a se deslocar em direção ao Rio de Janeiro. Por este motivo, a partir de hoje, apenas as faixas norte e leste do Estado de São Paulo devem registrar chuvas isoladas.

Na região de Bauru, o sol reaparece entre poucas nuvens e, no fim de semana, as temperaturas deverão oscilar entre 11 durante a madrugada e 25 graus ao longo do dia. A probabilidade de chuvas é remota, segundo o IPMet, tendência que deve prosseguir ao menos até o meio da semana.


Fogo em mato é crime

Até mesmo quem ateia fogo em um amontoado de folhas na calçada pode sofrer sanções, conforme prevê a legislação. A prática é considerada contravenção penal e o autor poderá ser obrigado a prestar serviços à comunidade. A prefeitura também poderá aplicar multa no valor aproximado de R$ 500,00.

Caso o fogo atingir uma área de mata nativa, o responsável responde por crime ambiental, cujas multas podem chegar a R$ 50 mil, em um caso extremo de devastação de um hectare de mata em estágio avançado. Se comprovada a intenção de causar o dano, a pena aplicada é de detenção de 2 a 4 anos, além da multa.

Mesmo que não haja dano à vegetação ou a bens de terceiros, contaminar a atmosfera com fumaça também pode gerar sanções. A contravenção penal pode ser convertida em prestação de serviços à comunidade, além de multa em valor a ser estipulado pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

  • Serviço

Denúncias sobre incêndios podem ser feitas na Secretaria Municipal de Meio Ambiente, de segunda à sexta-feira, das 8h às 18h, ou pelo telefone (14) 3235-1105. Na Polícia Ambiental, as reclamações são recebidas 24 horas por dia pelo (14) 3203-2700.

 

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