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Brincadeira inocente que pode se tornar perigosa

Francisco Carlos Martins
| Tempo de leitura: 3 min

Com a chegada dos meses com predominância dos ventos e o aumento de crianças e adolescentes nas ruas e parques das cidades, aumenta também a preocupação. É nessa época do ano, com a maior incidência de tempo seco e ventanias, que empinar pipas, uma brincadeira antiga e aparentemente inocente, coloca em alerta a distribuidora de energia elétrica CPFL Paulista, pais e responsáveis. Para se ter ideia do problemas provocados pela prática incorreta da brincadeira, no município de Bauru tivemos 43 ocorrências, com desligamentos, somente desde o começo desse ano de 2014.

Desde o início de 2014, já foram contadas 1.538 ocorrências com falta de energia, sendo que Bauru soma 43 desligamentos no mesmo período. O número de casos de desligamentos provocados não deixa dúvidas. Linhas e parte dos brinquedos enroscados nos fios provocam curtos-circuitos, desligamentos de redes de distribuição e acidentes com choques elétricos, podendo em alguns casos mais graves culminar em morte. Há também muitos acidentes envolvendo usuários de motocicletas e bicicletas, atingidos na altura do pescoço por linhas de pipas, e raramente consegue-se identificar os responsáveis.

O desafio de evitar essa tragédia urbana não é apenas das empresas que distribuem energia, mas recai sobre toda a sociedade. Brincar próximo a redes elétricas e utilizar cerol nas linhas representam os maiores riscos de acidentes quando o assunto envolve pipas. Linhas reforçadas com vidro e cola são proibidas e sua comercialização é crime. Em São Paulo há Leis que proíbem o uso de cerol ou de qualquer produto semelhante que possa ser aplicado em linhas de pipas.

Reverter essa ameaça é possível, com conscientização e adoção de algumas medidas preventivas. Ninguém precisa ficar sem seu brinquedo e a solução não passa pela proibição das pipas. Pelo contrário. Algumas regras básicas devem ser respeitadas, para que uma brincadeira tão especial não se transforme em preocupação. É importante escolher um local longe da fiação elétrica, como campos abertos e parques, preferencialmente áreas planas, fugindo do entorno de rodovias ou das avenidas de intenso movimento, evitando atropelamentos. Outra preocupação é em relação ao papel utilizado, pois o papel alumínio, ou mesmo papel laminado, são condutores elétricos, facilitando a ocorrência de curtos-circuitos.

A tentativa de resgatar a pipa da fiação elétrica pode provocar desligamentos no fornecimento de eletricidade e causar acidentes com vítimas. Subir em telhados, postes ou adentrar em subestações para recuperar o brinquedo representa risco de choque, assim como tentar removê-lo com canos ou bambus. Não é indicado soltar pipas quando estiver chovendo ou com relâmpagos, pois elas funcionam como para-raio, conduzindo energia. Também é perigoso brincar em lajes, porque qualquer distração pode causar uma queda.

Acidentes e desligamentos provocados pelas pipas poderiam ser evitados se esses cuidados básicos fossem adotados. Esses conselhos podem ser multiplicados para que um número maior de pais e responsáveis pelas crianças perceba o problema e contribua com sua solução. Seja respeitando as regras em benefício da sociedade, seja alertando sobre os riscos as pessoas que ainda insistem em praticar a brincadeira de maneira insegura.

O autor é gerente de Serviços de Rede da CPFL Paulista

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