Quioshi Goto |
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Magalhães é professor de Redação, doutor em letras e autor de várias obras didáticas e de ficção infantil e adulta |
O escritor bauruense Roberto Magalhães lança seus dois mais recentes livros amanhã, a partir das 20h, no Jeribá Bar. Em noite de autógrafos, que terá também a atração musical de Luana Cortez e Isaac Ferraz, o autor apresenta suas obras Satanás, livro de contos publicado pela Canal 6 Editora e que tem prefácio do jornalista João Jabbour, e A Arte da Retórica (Idea Editora), obra mais técnica, prefaciada pelo também jornalista Paulo Sérgio Simonetti. Magalhães é professor de Redação, doutor em letras e autor de várias obras didáticas e de ficção infantil e adulta.
Satanás (153 páginas) é o segundo livro de contos de ficção adulta de Magalhães, que estreou no gênero em 2012 com Paredes de Papel. Seu enveredamento pela literatura veio quando, de professor que trabalha com contos em sala de aula, de leitor e crítico, revolveu produzir. “Nunca pensei em escrever contos. Mas este trabalho em sala de aula me favoreceu para perceber algumas técnicas, caminhos. Fiz o primeiro conto e guardei, fiz um segundo, um terceiro... e me arrisquei a mostrar para minha primeiras ‘vítimas’”, brinca. “Quando percebi, já tinha número suficiente. E aí acho que a gente tem de registrar”, declara.
O título do livro, que logo chama a atenção, vem do nome de um dos 35 contos que integram a obra, explica o autor. “É prática entre os contistas escolher um conto para dar o título. Eu tenho um conto, que é representativo, chamado Satanás. Achei que seria chamativo, interessante”, considera Magalhães.
Satanás traz o olhar afiado de Magalhães sobre as situações cotidianas. Porém, sob o verniz de uma fina ironia. “Os contos fundamentalmente discutem o quão ridículo o ser humano é. A gente é que não se percebe tanto. Mas, na verdade, todos nós temos este lado gozado, este lado irônico, e é muito bom exorcizá-lo. Então, é um livro mais pendendo para o cômico, uma ironia sutil”, define Magalhães. A comicidade dos escritos, temperada com fina ironia, tem o objetivo de ser provocativa. “Acho que é uma forma de rir de nós mesmos. Me incluo neste ridículo”, analisa.
As situações retratadas com olhar irônico do autor são colhidas no cotidiano com experiência próprias ou alheias, sob o crivo do olhar do escritor. “O livro trabalha muito a questão conjugal, os botecos da vida, o dia a dia, sempre procurando um lado interessante onde se possa fazer uma leitura que traga o cômico, mas que também ilumine um pouco mais a nossa realidade”, discorre Magalhães. “É o que acontece comigo, com amigos, às vezes lendo uma notícia no jornal, um artigo em uma revista, um conto, que sugere outro conto. A vida tem a todo momento sinais, que se bem lidos e aproveitados, podem gerar bons contos”, resume o autor.
Da perspicácia que detecta o enredo de um conto desenhado no dia a dia à produção da obra, entra o trabalho do escritor, que pratica a arte de contar histórias como “método”. “É questão de começar a fazer para ganhar esta prática. Aprender a contar uma história. Um conto é isso. Se bem que o conto hoje está bem diluído, não é mais só contar uma história, tem muitas facetas. Mas tradicionalmente o conto é bem isso, contar uma história com começo, meio e fim”, conceitua. “E o que é interessante é que, às vezes, a beleza do conto está não no que ele diz, mas no que ele não diz, nas entrelinhas”, considera.
Oratória e oralidade
A Arte da Oratória (159 páginas) é um livro técnico, mas não é para um público restrito. Não trata-se de obra especializada ou para especialistas, uma vez que aborda aspectos fundamentais da comunicação oral e apresenta soluções e técnicas para enfrentar situações corriqueiras de se expressar oralmente em público e de apresentar e defender pontos de vista ou persuadir, construindo um discurso coeso e estruturado. “O indivíduo que estuda o discurso oral tem muitos benefícios. Psicologicamente, por exemplo, ele já passa a ser outro na medida que sabe que defende suas ideias com segurança, organização e coerência”, ilustra. Magalhães divide no livro um pouco da experiência e conhecimento que adquiriu ao longo de mais de três décadas como professor e estudioso de literatura, técnica redacional e oratória. “Só fiz isso na vida, estudar a palavra. As palavras escrita, oral e a estética, literária”, declara. Na obra, orienta o leitor no desenvolvimento de seu discurso em cima de vários fatores. “É estudar a oratória, nem é a oratória solene, mas a oralidade e fazer os exercícios, dominando o gestual, a fisionomia, o corpo. É usar o processo argumentativo, dar mais colorido, mais estesia, mais emoção à sua fala. É muito interessante”, observa. Para tanto, o autor destaca que o livro traz um “manual” dos processos que facilitam a palavra argumentativa, retórica, o discurso. “Trabalha exatamente como estruturar pensamento, as figuras que ornamentam a linguagem retórica, os tipos de argumentos que podem ser usados no processo de persuasão, como trabalhar a emoção, sensibilidade, afetividade”, comenta Magalhães. A obra trata da palavra em funcionamento tanto no aspecto lógico, racional, quanto no aspecto emotivo. “A oratória é persuadir e comover”, define.
Serviço
O Jeribá Bar fica na Rua Antonio Alves, 34-61. Informações: (14) 3227-2131
