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Tá valendo! Costa Rica, quem diria...

Neto del Hoyo
| Tempo de leitura: 2 min

Esse mundo está de cabeça para baixo. O Irã, que sempre foi o país dos tapetes e do petróleo, veja só, é também uma potência do vôlei. E a Costa Rica? Um pequeno país da América Central, sem tradição no futebol, deu um banho em muita gente.

A surra dos 7 a 1 nos fez voltar toda atenção para a Alemanha e como a mudança de gestão naquele país transformou o seu futebol. Mas não é preciso ir até a Europa para entender que o segredo do sucesso é o trabalho.

É dessa América espremida entre o norte e o sul, que vem a Costa Rica. Na Copa, ganhou do Uruguai, colocou a Itália no bolso e teve piedade ao empatar com a Inglaterra terminando em primeiro no chamado “grupo da morte”.

Fuçando para tentar descobrir esse segredo, li que o governo costarriquenho aboliu o seu exército em 1948 e investiu o dinheiro na educação, onde a língua inglesa é ensinada desde os quatro anos.

Descobri então que o fenômeno do futebol por lá começou com uma gestão responsável, algo que parece tão difícil por aqui como oferecer educação de qualidade. Empresários, times e governo concordavam que o futebol ajudaria a projetar o país no mundo e uniram suas forças. Os clubes passaram a ser tratados como empresas, fiscalizados e com responsabilidade de atender a comunidade. Hoje, por exemplo, existem programas de reciclagem financiados pelos times. Outro passo importante foi estabelecer regras evitando o leilão de promessas. A “fórmula mágica” passou ainda por adequação ao calendário e unificação de federações.

A Copa, a Alemanha e a Costa Rica mostram que transformação não se resume a troca de técnicos e supervisores. A seleção nacional será sempre o resultado final, a ponta da pirâmide.

Quem curte Milton Nascimento deve conhecer a música Coração Civil, cujos versos nos fazem refletir: “San José da Costa Rica, coração civil / Me inspire no meu sonho de amor, Brasil / (...) Viva a preguiça viva a malícia que só a gente é que sabe ter / Assim dizendo a minha utopia eu vou levando a vida / (...) Doido pra ver o meu sonho teimoso, um dia se realizar”.

Nesse mundo virado, chamam-lhe a Suíça da América Central, mas não sei dizer se é verdade porque nunca estive na Suíça. E nem na Costa Rica. Ainda.  

 

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