Regional

Capital e Chile inspiram "conceito"

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

A biblioteca Orígenes Lessa tinha 442 metros quadrados até 2013 quando da última ampliação, obra entregue em abril deste ano. O JC esteve no local para conferir de perto. 

Com a reforma, a biblioteca cresceu, passou a ter 786 metros quadrados. A reinauguração atraiu o público lençoense que passou a frequentar mais o local.

Antes da ampliação 800 livros eram emprestados por mês, depois, 6.436 de abril a julho. Ganhou ainda 600 novos usuários. “Na reinauguração o sobrinho do idealizador Zanderlite esteve presente,” diz o diretor de Cultura, Nilceu Bernardo,

A procura aumentou e isso se deve, na opinião do diretor, ao novo conceito de biblioteca usado na reforma.

“A varanda ao ar livre para leitura, os espaços com poltronas, almofadas, tapetes fazem com que as pessoas fiquem mais tempo na biblioteca.  Essa ideia foi idealizada  a partir de visitas que fizemos. Fomos conhecer a biblioteca do Chile em Santiago que tem esse desenho. Visitamos a  biblioteca de São Paulo que foi uma grande inspiradora, no Parque da Juventude, onde foi o Carandiru, ela é fantástica. Tem esse conceito de espaço aconchegantes para leitura.”

A ideia de colocar um café foi de dar um aconchego adicional. “Tem estudantes que passam horas e horas dentro da biblioteca. Pensamos neles. Hoje, vemos famílias inteiras vindo visitar e retirando livros.”

Ele explica que as tradicionais mesas de pesquisas, nichos para pesquisas mais concentradas para leituras e trabalhos foram mantidos.

Magnetizados

Também foram magnetizados os livros. Todos têm uma fita magnética no interior que acusa sua saída no portão eletrônico.

“Com isso, a gente deixou de ter que se preocupar com a presença de pessoas com um livro. Elas passaram a  ficar à vontade dentro do acervo”.

Para ficar sócio, o usuário da biblioteca precisa apenas do cartão cidadão, um comprovante de residência e um documento com foto.

“Se preferir, tem carteirinhas sem foto. Vamos padronizar sem foto. O usuário leva o livro por 10 dias e pode renovar por mais duas vezes. Dependendo da obra, tem alguns casos especiais, obras de coleções, específica que tem prazos ampliados. As pessoas com algum tipo de deficiência tem prazo maior para devolução que é de 30 dias.”

A biblioteca tem uma área de periódicos. “Temos várias assinaturas de jornais, locais, regionais, estaduais e revistas semanais. Se o usuário pedir orientações, temos uma pessoa apta a dar.”


Leia livros, leia Lessa

Na cidade natal de Orígenes Lessa é óbvio que a indicação é de uma de suas obras. Para o diretor municipal de Cultura, o romance “Rua do Sol” é uma boa pedida. “É a história de um menino em todas as fases de sua vida. O leitor fica intrigado  para saber como Lessa descreve e lembra de tudo. Tem sabor de infância, de família, formação de cidadãos”. 


Biblioteca Viva

Atualmente, a biblioteca de Lençóis tem média de usuários em torno de 10 mil/mês. “Antigamente a média era de duas mil. Temos 35 mil pessoas que entraram na biblioteca em três meses. A média de retiradas por dia está de 200 livros.

O conceito de biblioteca viva, com  programação cultural, debates com escritores, encontros, ajuda muito. São eventos pequenos, mas que dão enorme retorno. Para as crianças tem contação de histórias, visitas monitoradas. A biblioteca infantil fica no espaço cultural, lá tem a biblioteca Monteiro Lobato. Acreditamos que elas, conhecendo esse espaço, terão vontade de frequentá-lo quando tiverem mais de 12 anos”, diz Nilceu Bernardo. 

No distrito de Alfredo Guedes uma biblioteca foi montada para servir aos moradores.

Outro braço da biblioteca é o espaço cultural Cidade do Livro, instalado em um casarão antigo. “Lá temos área de exposição e eventos”.

O próximo passo é revitalizar e ampliar o entorno da biblioteca.  Queremos ampliar a  feira de troca de livros. Quando recebemos doações de livros que temos em duplicata levamos para a feira. Promovemos esse evento a cada três meses. Temos o festival do livro em outubro, onde tem troca e compra e programação artística.”


Algumas pitadas de história

A primeira biblioteca de Lençóis foi inaugurada na década de 60. Na sequência foi iniciada construção no centro da praça José Zillo, que era o espaço mais importante e nobre da cidade naquele momento, para fazer o pavilhão.  A biblioteca tinha piso térreo e complexo com a concha acústica atrás.”

Na década de 80 foi inaugurado o segundo piso do mesmo tamanho. Foi intitulado de Museu Literário Padre João Amâncio da Costa Novaes que era um padre de Lençóis muito culto, músico. “O pai do Origenes Lessa era historiador, pastor protestante. Viajou pelo país inteiro e outros lugares do mundo e foi coletando documentos e livros raros. Temos acervo de documentos raros também”, diz Bernardo. 

Ainda na década de 80 uma caravana de escritores foi para Lençóis. “Na época o presidente da República e acadêmico também era o José Sarney.  O Sarney  inaugurou o sistema  estadual de bibliotecas. Aqui é uma das mais antigas desse sistema. O acervo foi informatizado.”

“Grandes nomes da literatura brasileira participaram da festa. Nessa década, o [escritor] Pedro Bloch veio muito para Lençóis, ele era amigo do Orígenes Lessa.”

O patrono da biblioteca morreu no Rio de Janeiro.

“Foi velado um período na Academia de Letras, depois veio para Lençóis Paulista. Ele tinha o desejo de ser enterrado em sua terra natal. Ele foi velado aqui na biblioteca uma noite toda. O Francisco Marins que fez o discurso do enterro. Ele  permaneceu uma noite entre seus escritos, entre os personagens”.

“Teve um culto que ele era protestante com a participação do coral da igreja presbiteriana. Depois teve sepultamento no cemitério municipal que é um dos túmulos bastante visitados.”

 

Comentários

Comentários