Geral

Bauru precisa reduzir 208t no aterro

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Diagnóstico da empresa Reúsa, contratada pela Prefeitura de Bauru para prestar serviços de consultoria na elaboração do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, aponta que cada morador da cidade produz, em média, quase 6 quilos de lixo por semana.

Todos os dias, são despejados no aterro sanitário cerca de 260 toneladas de materiais orgânicos ou não. Mas o mesmo estudo, com base na Política Nacional de Resíduos Sólidos, define que essa quantidade deveria ser reduzida a 52 toneladas, 20% do total.

Engana-se quem pensa que essa é uma meta para longo prazo. Embora, na atual conjuntura, seja impossível o cumprimento do cronograma, a legislação federal estabelece que a nova realidade deveria entrar em vigor a partir do próximo mês, bem como o plano municipal - ainda não concluído - tinha que estar pronto em agosto de 2012.

Diretor do Departamento de Ações e Recursos Ambientais da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Paulo André Zuwicker Yamamduro explica que a Reúsa já apresentou o diagnóstico e o prognóstico dos resíduos sólidos em Bauru.

“No prognóstico, foram explicitadas quais são as nossas metas. Essa parte do trabalho será discutida com o Comitê Diretor do plano e, sendo aprovada, vamos dar início às discussões de como vamos alcançar essas metas”, pontua.

 

Reciclagem

A destinação correta de materiais recicláveis é o primeiro e mais viável passo a ser dado para a redução de resíduos levados ao aterro. No entanto, o volume de papel, plástico, metal e vidro recolhido pela coleta seletiva em Bauru é quinze vezes menor do que o volume misturado ao lixo orgânico.

No mês passado, o serviço gerenciado pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) destinou às duas cooperativas da cidade que atuam na triagem de recicláveis 180 toneladas de materiais.

Por outro lado, esse tipo de resíduo corresponde a 33,77% do lixo enterrado no município, o que significa que, todos os meses, o aterro recebe 2.610 toneladas de vidro, papel, metal e plástico que poderiam ser reaproveitados, reutilizados ou reciclados.

Em abril deste ano, o Jornal da Cidade mostrou que, após a criação da segunda cooperativa, sobra mão de obra e falta material para triagem.

“O poder público terá que pensar formas de conscientizar as pessoas a separar o lixo e terá que dar conta de garantir a destinação correta desses materiais. Uma alternativa que pode ser apontada pelo plano é a viabilização de uma usina de triagem dentro do próprio aterro”, observa Paulo André.


Plano exige nova lógica para o descarte de lixo orgânico em Bauru

Mesmo que todos os materiais recicláveis passassem a ser destinados corretamente, Bauru não conseguiria reduzir a 20% o volume de lixo levado atualmente ao aterro sanitário. É que a legislação federal estabelece que, a partir de agosto deste mês, devem ser enterrados apenas rejeitos, ou seja, aqueles resíduos cujas todas as possibilidades de reaproveitamento ou reciclagem já tiverem sido esgotadas e não houver solução final para o item ou parte dele.

É o caso, por exemplo, do lixo infectante - como papel higiênico usado e fraldas descartáveis -, que corresponde a 12% do lixo deixado no aterro; e do lixo hospitalar, que representa pouco mais de 1%, de acordo com estudo gravimétrico desenvolvido pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).

Contudo, 37,27% do lixo levado ao aterro corresponde a matéria orgânica. A redução de destinação desse tipo de resíduo parece ser o maior desafio. Diariamente, são 65 toneladas diárias de restos de comida e afins, além de 31 toneladas de resíduos verdes, como restos de poda e capinação.

Adequação

Apesar do plano municipal ainda não ter sido concluído, Paulo Juarez Rodrigues, técnico da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), adianta que o próprio poder público terá que buscar formas de se adequar à nova realidade.

“Os galhos das podas têm que ser triturados para não serem levados diretamente ao aterro. Já os restos de comida, grama e folhagem da limpeza pública precisam passar por compostagem para serem transformados em adubo”, pontua.

Juarez observa que será muito difícil implantar políticas para compostagem do lixo doméstico, mas ressalta que o poder público pode centrar suas ações nos grandes geradores, como restaurantes, escolas, hospitais e grandes estabelecimentos comerciais.


Sem recursos

O não cumprimento das diretrizes e do cronograma do Plano Nacional de Resíduos Sólidos deixa o município impedido de pleitear recursos junto à União para o setor de saneamento. O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) alega que essa situação não é motivo para preocupação. A expectativa é de que o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos seja concluído até outubro deste ano, quando será apresentado e discutido em audiências públicas.


Grandes alvos

Poder público pode centrar suas ações sobre lixo doméstico em restaurantes, escolas e outros

 

Comentários

Comentários