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Futebol arcaico em País de terceiro mundo

Luciene Ferreira da Silva
| Tempo de leitura: 2 min

Para quem quer entender um pouco sobre táticas diferenciadas de futebol assista o basquetebol americano, depois se assuste, e muito, com o conservadorismo, teimosismo e machismo do futebol brasileiro. É esporte fadado ao desaparecimento, pois, não há inteligência tática. As cartas na manga são os jogadores... Se não tem, não tem cartas na manga!!!

Um jogador no basquetebol com 30 pontos por partida faz falta à equipe, mas você não vai ter só um jogador desse porte, se estão sendo investidos milhões de dólares numa temporada.

Se a Copa é no Brasil e se as pessoas foram selecionadas, aceitaram e entenderam qual era a missão, não poderiam ter exposto a nação a uma equipe de "meninos grandes". Meninos que não sabem sequer realizar passes com perfeição! Que choram, pasmem! Cruzamentos, índices de acerto baixíssimos! 

A verdade: eles não têm inteligência cinestésica. Fred e Hulk, meu Deus, não pensam!!! Não conseguem e não sabem se comunicar!  Os jogadores não sabem reagir! Uma seleção que se queria campeã do mundo que se reuniu com 30 dias de antecedência... 

Isso é o mais puro amadorismo com dinheiro sendo jogado para cima!

Campeonatos desse nível exigem comissões técnicas versáteis, ágeis, antecipadas, estudiosas, que não "emburram" e que não tenham posicionamentos fixos, mas muitas cartas na manga, para jogadores escolhidos, por entre coisas, terem experiências emocionais e que sejam inteligentes e que saibam fazer o que o basquetebol treina vitalmente, que é "a virada" do jogo.

Eu só assisto o quarto do basquetebol, pois é ali que a inteligência se manifesta brilhantemente e se pode se emocionar fortemente.

São variações absurdamente surpreendentes de 12 a 15 opções em cada jogada, em 21 segundos em média, para ganhar um jogo em duas ou três jogadas, às vezes, até em uma única, por um único ponto!

Fico atônita, quando vejo os jogos serem decididos numa cobrança de lateral.

Todos sabendo milimetricamente onde estarão e o que cada um fará, a bola cai na cesta e o placar zera! Nada de sorte! Tudo foi exaustivamente treinado. Eles ganham milhões de dólares sim, mas são profissionais!

Isso não significa em hipótese alguma que eu concorde com o todo o resto que acontece por lá e em todos os outros esportes que visam lucro, como o dopping, o uso freqüente de drogas, a corrupção, o tráfico de influências, inclusive na escolha dos atletas e comissões técnicas e o uso político do esporte às vésperas de eleições ou não, mas para favorecer obras, desvio de dinheiro público, destaque internacional de corruptos e ladrões e desvio de olhares para o que realmente interessa para o povo: citemos a eliminação da fome, a saúde como direito de todo cidadão e a educação de qualidade, por exemplo.

Eu espero profundamente que cada lição sirva para os ambiciosos desmedidos refletirem sobre o que vieram fazer na Terra.

A autora é professora doutora da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - FC/Unesp - Chefe do Departamento de Educação

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