Um casal retirado dos escombros de um prédio que desabou em Sergipe foi informado por assistentes sociais na madrugada desta segunda-feira da morte do filho mais novo, Ítalo Miguel, um bebê de 11 meses, no acidente.
A informação foi confirmada pelo Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), onde estão internados o pai, Josevaldo da Silva, 24, que é auxiliar de pedreiro; a mãe, Vanice de Jesus, 31, que é dona de casa e a irmã de ítalo, Ane Gabriele, 8. Eles não têm previsão de alta.
Médicos, psicólogo e os assistentes sociais do hospital decidiram colocar Silva e Vanice numa área isolada -sem acesso a TVs inclusive- até eles se recuperarem completamente. O hospital não informou como os pais da criança reagiram à noticia.
Os quatro foram levados em macas a equipes do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) no local para os primeiros atendimentos e, de lá, encaminhados para o Huse, na capital de SE.
Ainda no prédio, o pequeno Ítalo teve uma parada cardiorrespiratória. A caminho do hospital, não resistiu e morreu de insuficiência respiratória.
O prédio residencial de três andares estava em construção e em fase de acabamento. Segundo a Prefeitura de Aracaju, o alvará para construção do prédio está regular. As causas do desabamento ainda serão apuradas pela Polícia Civil.
Silva era um dos operários da obra e morava no imóvel. Trabalhava no local havia dois meses e, muito apegado ao menino Ítalo, estava ansioso em vê-lo. Por isso, Vanice e as crianças chegaram do interior de Alagoas na última sexta-feira (18).
Segundo o vigia Rogério Carlos Santos disse à imprensa local, os três planejavam voltar para casa três dias depois -tempo suficiente para o pai matar a saudade do bebê que pouco via desde que se mudou para Aracaju.
Sem dinheiro para hospedagem, resolveram ficar todos no prédio em construção. Naquela mesma noite, acomodaram-se no térreo do imóvel, onde dormiram num só colchão, de acordo com os bombeiros. À 1h45 do sábado, o imóvel desmoronou.
Foram salvos porque ficaram presos entre o colchão em que dormiam e a laje do prédio, que acabou escorada em escombros e nas caixas de cerâmica que lá estavam. Nesse espaço, havia apenas 30 cm de altura. "Tanto que o homem [Silva] disse que a distância entre a testa dele e a laje era de dois dedos", afirmou a major Maria Souza.
Os quatro foram resgatados pelos bombeiros, com ajuda da Força Nacional e da Defesa Civil, por um buraco de 40 centímetros de largura feito na laje, na altura em que estava Ane Gabriele -a primeira a sair dos escombros.
Oração coleitva
Cerca de 200 moradores de Aracaju se aglomeraram em frente ao prédio para acompanhar o resgate feito pelos bombeiros. Assim que cada uma das vítimas saíam pelas macas, o público aplaudia. Quando todos já estavam sendo atendidos pelo Samu, cantaram juntos o "Pai Nosso".
Vizinhos do prédio disseram que o barulho do desmoronamento foi muito grande. "Quando abri a janela, veio uma grande fumaça e ficamos bem assustados", afirmou a estudante universitária Sabrina Carvalho, que reside em um condomínio localizado na mesma rua.
As casas próximas ao prédio que desabou e outros imóveis vizinhos não correm risco, pois, segundo o coordenador da Defesa Civil, Erivaldo Mendes, o imóvel desmoronou sobre o próprio eixo.