Polícia

Três anos depois, túnel mobiliza polícia

Cinthia Milanez e Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Por volta das 10h da manhã desta terça-feira (22), uma equipe do Corpo de Bombeiros, com o apoio da Polícia Militar (PM), realizou vistoria da galeria subterrânea na avenida Nações Unidas, em Bauru, com o intuito de verificar se alguém violou as entradas lacradas do “túnel criminoso”, que foi construído para furtar a empresa de segurança e transporte de valores Protege há três anos.

 

 

Nove homens foram mobilizados até o endereço para uma operação que durou menos de uma hora e constatou que as entradas, isoladas por concreto e madeira, estão íntegras. O órgão contou com o apoio da PM, que orientou o trânsito, já que a via de trânsito rápido da quadra 2 do endereço ficou bloqueada para que os oficiais pudessem atuar.

 

“Além disso, os policiais militares fizeram a retaguarda no local, caso, durante a vistoria, alguém fosse encontrado. Mas estava tudo tranquilo”, acrescenta a subtenente Cibele Schucheman, do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I).

 

O Corpo de Bombeiros destaca que a fiscalização do túnel ocorre com frequência, mais especificamente a cada seis meses. “Desta vez, viemos fazer a vistoria a pedido da Protege”, explica o tenente José Mário de Freitas Junior, do Corpo de Bombeiros.

 

Segundo o tenente Eduardo de Souza Costa, todas as solicitações feitas ao Corpo de Bombeiros por instituições privadas ou cidadãos comuns são avaliadas pelo comando e atendidas sempre que visarem a manutenção da segurança pública. No caso específico do túnel, a vistoria não teve como objetivo avaliar as condições estruturais da construção.

 

“Os bombeiros não possuem qualificação de analisar se há possibilidade de o túnel ceder, algo que só pode ser feito por um engenheiro do município. Nosso interesse foi puramente policial”, comenta.

 

O caso

 

No dia 3 de fevereiro de 2011, um plano de produções cinematográficas foi por água abaixo. Um bando teria construído um túnel de 30 metros, que ligava a galeria subterrânea da quadra 3 da Nações Unidas à Protege. Contudo, após a realização de um reparo asfáltico, funcionários da Prefeitura Municipal de Bauru descobriram a escavação, que atravessava totalmente a via.

 

Duas semanas após a descoberta do acesso, outra escavação foi encontrada, mas, dessa vez, possuía 150 metros e saía de uma casa, na quadra 1 da rua Enéas de Carvalho Aguiar, no Centro, passando pela quadra 4 da rua Timbiras, também no Centro, até a galeria subterrânea da quadra 3 da avenida Nações Unidas, em frente ao prédio da Protege. Diante disso, o segundo acesso acabou causando rachaduras em diversas casas do quarteirão, fato que incomoda os moradores até hoje.

 

Investigações ainda não foram concluídas

 

De acordo com o delegado Kleber Granja, as investigações ainda não foram concluídas e informações continuam sendo trocadas com a Polícia Federal e o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), unidade da Capital especializada em roubo a bancos. 

 

“O inquérito continua em andamento. Trata-se de uma investigação multidisciplinar”, conta. 

 

Granja pontua que existem suspeitos, mas a polícia não tem previsão alguma para a conclusão do inquérito, cujo prazo pode ser dilatado indefinidamente. 

 

“Este é um caso difícil, porque a cena do crime não revelou nada sobre a identidade do bando. E não vamos arquivá-lo ou entregá-lo inconcluso”, reitera o delegado. 

 

Rachaduras continuam um problema no bairro

 

O túnel teve ramificações. E não físicas. Foram desdobramentos para os moradores. Na quadra 4 da rua Timbiras, no Centro, as rachaduras nas paredes das casas e calçadas fazem com que a população não se esqueça do caso.

 

Esta é a situação do aposentado Acary Nabor, 72 anos, que mora há cinco décadas no endereço. No seu quintal, parte do piso cedeu e ele bancou os reparos.

 

Porém, uma solução para o problema seria uma representação da Polícia Civil junto ao Poder Judiciário para que a casa comprada pelo bando seja encaminhada à hasta pública (em que bens penhorados possam ser vendidos), através de sequestro de bem-imóvel. 

 

Com o valor, os moradores cujas residências foram afetadas seriam ressarcidos. “Mas esse procedimento só será possível na fase conclusiva do inquérito”, relata o delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Kleber Granja.

 

 

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