Um menino de 1 ano e 2 meses sofreu queimaduras de 2º grau na palma das duas mãos no interior de creche municipal em Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru). O pai da criança critica a falta de informações sobre as circunstâncias em que ocorreu o acidente e registrou boletim de ocorrência para que ele seja investigado. A prefeitura instaurou processo administrativo para apurar eventuais responsabilidades de funcionários (leia box ao lado).
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Alessandro Roberto da Silva/Arquivo Pessoal |
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Menino em foto enviada por pai: caso agora está em apuração |
O fato ocorreu no último dia 15, na creche municipal Dona Augusta Parpinelli Zillo, na vila Cruzeiro. O pai do menino, Alessandro Roberto da Silva, conta que, no período da tarde, recebeu ligação de funcionário da unidade comunicando sobre o acidente. “Eles falaram que tinha acontecido um imprevisto com meu filho e que ele tinha se queimado. Eu vim em casa, peguei toda a documentação e levei ele para o Pronto-Socorro (PS)”, diz.
Segundo Alessandro, no PS, a equipe de plantão fez curativos e a encaminhou para atendimento especializado na Unidade de Tratamento de Queimaduras do Hospital Estadual de Bauru. Ele revela que tem de viajar diariamente de ambulância até o município vizinho para que o filho faça a troca adequada dos curativos. “Se não fizer corretamente, meu filho pode não recuperar todos os movimentos das mãos”, explica.
O pai do menino está revoltado com a falta de explicações por parte dos funcionários da creche. “Já deram três versões diferentes”, critica.
“A princípio, disseram que meu filho estava no solário (espaço adaptado para que as crianças tomem banho de sol) e, engatinhando de um lugar para o outro, acabou queimando as mãos no chão quente. Quando eu estava no hospital, a minha mãe desceu na creche para conversar e falaram que não sabiam (o que tinha acontecido) porque estavam aquecendo a jantinha deles e, quando perceberam, ele já estava chorando”.
De acordo com ele, para o médico que prestou o primeiro atendimento ao menino, a creche teria contado outra história. “Disseram que ele estava no colo de uma funcionária e relou a mão na calha (cano usado para escoar a água da chuva) quente”, afirma.
Alessandro procurou a delegacia de Lençóis Paulista e registrou boletim de ocorrência de lesão corporal. O caso agora será investigado pela Polícia Civil.
Banho
O pai da criança diz que, após o acidente, os funcionários apenas deram um banho no seu filho. “A prefeitura fala que está dando assistência, mas nem socorreram. Quem prestou o socorro fui eu. A única coisa que fizeram foi dar banho para ver se ele se acalmava”, alega. “Pessoas que a gente confiava deixam o filho da gente se acidentar e ainda nem falam o que aconteceu”.
‘Isolado’
Por meio de nota, a Diretoria de Educação de Lençóis Paulista definiu o acidente como “fato isolado”. “A criança foi prontamente atendida e recebeu atenção para tratamento. A Diretoria de Saúde tem se colocado à disposição para prestar total suporte à criança, que passa bem”, declara.
A pasta afirma que, ao invés de monitores, conta com professores de creche especializados no atendimento de crianças de 0 a 3 anos e diz que, no momento em que o menino se queimou, havia dois profissionais com sete crianças, quando o recomendado é um profissional para oito crianças.
