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Governo revisa e reduz PIB de 2,5% para 1,8%

Folhapress
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O Ministério da Fazenda cortou a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), soma das  economias do País, em 2014 de 2,5% para 1,8%. A nova projeção foi divulgada nesta terça-feira (22) e faz parte do relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas do Orçamento do ano.

 

A projeção ainda está acima das expectativas do Banco Central (1,6%) e dos economistas consultados no Boletim Focus, que o BC faz com analistas de cerca de 100 instituições financeiras (0,97%).

 

A estimativa para o índice oficial de inflação (IPCA) subiu de 5,6% para 6,2%, também mais otimista que as estimativas do BC (6,4%) e do mercado (6,44%).

 

TRIBUTOS

 

O crescimento menor da economia vai se refletir em uma arrecadação de tributos quase R$ 9 bilhões menor que o esperado anteriormente, segundo o relatório.

 

Em compensação, o governo passou a contar com o pagamento de R$ 2 bilhões da Petrobras para o Tesouro Nacional, referente à assinatura de contrato de exploração do volume excedente nas áreas do pré-sal. Essa negociação foi anunciada no final de junho.

 

Também se espera uma arrecadação de R$ 18 bilhões com os programas de parcelamento de dívidas tributárias (Refis), acima dos R$ 12,5 bilhões esperados nos cálculos feitos há dois meses. Nesse período, o governo anunciou medidas para incentivar a quitação de dívidas.

 

Outro fator que vai ajudar as contas do governo federal é que, com a queda na arrecadação de tributos, cai também o repasse de recursos para Estados e municípios.

 

No fim da conta, o governo estima que terá uma receita a mais de R$ 714,5 milhões. Esse dinheiro já foi comprometido, em sua maior parte, com a liberação de créditos extraordinários - dinheiro usado em despesas emergenciais não previstas - no primeiro semestre.

 

INDICADORES

 

O pessimismo foi reforçado após a divulgação de indicadores mais fracos nas últimas semanas.

 

Primeiro, o indicador de atividade econômica calculado pelo Banco Central (IBC-Br) registrou em maio o pior desempenho dos cinco primeiros meses do ano, uma retração de 0,18% na comparação com abril.

 

A queda foi puxada pelo fraco desempenho da indústria e comércio.

 

Em segundo, o Ministério do Trabalho informou que a criação de empregos formais foi a menor para um mês de junho desde 1998 - foram geradas 25.363 novas vagas.

 

No primeiro semestre, foram 588.671 novos postos com carteira assinada, menor saldo para esse período do ano desde 2008 (397.936 vagas).

 

Por fim, o setor de serviços, segundo dados do IBGE, registrou em maio a segunda menor taxa de crescimento na série do instituto.

 

Pelo terceiro mês consecutivo, a produção na indústria caiu em maio - desempenho que deve se repetir no dado de junho. No setor automotivo, a produção recuou 23% no período.

 

Mercado mais pessimista

 

Economistas de instituições financeiras passaram a ver crescimento da economia de 0,97% neste ano, ante 1,05% anteriormente, ao mesmo tempo em que melhoraram ligeiramente a perspectiva para a inflação, de acordo com a pesquisa Focus do Banco Central divulgada nesta segunda-feira.

 

A mediana das estimativas para o IPCA este ano passou a 6,44%, frente a 6,48% na pesquisa anterior. 

 

A meta do governo é de 4,5%, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos.

Os economistas mantiveram ainda as previsões de que a Selic encerrará 2014 nos atuais 11% e 2015 em 12%.

 

Muito difícil

 

O governo terá de fazer novos esforços para conseguir poupar os R$ 80,8 bilhões previstos na meta de superavit primário. Até maio, economizaram-se R$ 19,2 bilhões.

 

A tarefa ficará mais difícil se a economia crescer menos que o esperado e comprometer ainda mais a arrecadação. A nova projeção de alta do PIB da Fazenda está, por exemplo, acima das expectativas do BC (1,6%) e dos economistas consultados na pesquisa Focus (0,97%).

 

A Fazenda também alterou a estimativa para a inflação (IPCA) no ano de 5,6% para 6,2%, mais otimista que as estimativas do BC (6,4%) e do mercado (6,44%).

 

As mudanças nas projeções de crescimento e inflação refletem, segundo o governo, os resultados verificados até o momento.

 

A queda na atividade tem comprometido, principalmente, a arrecadação com tributos ligados à renda e à produção, Imposto de Renda e Cofins, que respondem pela maior parte dos recursos coletados pela Receita Federal.

 

Por isso, o governo tem recorrido neste ano a um volume maior de dividendos de estatais. Também conta com mais recursos de concessões. A previsão é arrecadar, por exemplo, até R$ 10 bilhões com o leilão da segunda fase de 4G, em setembro.

 

Para ganhar mais com essas autorizações, o governo reduziu as obrigações das empresas vencedoras, que não serão obrigadas a atender cidades pequenas ou reforçar os serviços em rodovias.

 

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