O candidato derrotado nas eleições presidenciais na Indonésia, Prabowo Subianto, impugnará os resultados ante o Tribunal Constitucional por suspeitas de fraude, indicou um porta-voz nesta quarta-feira (23).
Na terça-feira (22), seu rival, Joko Widodo, conhecido como Jokowi, foi proclamado oficialmente vencedor.
"Estamos preparando nossa denúncia ante o Tribunal Constitucional", declarou Tantowi Yahya, um porta-voz da equipe do controverso ex-general Prabowo.
Segundo os resultados oficiais da comissão eleitoral, o governador de Jacarta e reformista Joko Widodo venceu as presidenciais de 9 de julho com 53,15% dos votos.
Já Prabowo obteve 46,85% dos votos. A participação popular no pleito foi de quase 71%.
Prabowo havia anunciado na terça-feira que rejeitava a eleição e se retirava do processo antes mesmo do anúncio oficial dos resultados, mas finalmente decidiu levar o caso ao Tribunal Constitucional, que precisa se pronunciar antes do fim de agosto.
Segundo Tantowi, durante a votação de 9 de julho houve irregularidades em 50 mil mesas eleitorais e problemas na apuração, mas admitiu que não sabe qual candidato foi o mais prejudicado.
Para o analista Yohanes Sulaiman, é pouco provável que Prabowo seja declarado vencedor porque há uma grande margem de votos entre os dois candidatos, um pouco mais de seis pontos percentuais, ou seja, mais de 8 milhões de votos.
A vitória de Joko Widodo, um ex-vendedor de móveis de família humilde e sem vínculo algum com os regimes autocráticos do passado, marca a chegada de uma nova geração de políticos no maior país muçulmano do mundo, com quase 250 milhões de habitantes.
Após a divulgação dos resultados, Widodo foi felicitado pelos primeiros-ministros da Malásia, Najib Razak; Cingapura, Lee Hsien Loong; e Austrália, Tony Abbott, além do secretário de Estado dos EUA, John Kerry, entre outros.
Joko Widodo é considerado um líder honesto, ao contrário de outros políticos do país, um dos mais corruptos do mundo.
Prabowo, ex-genro do ditador Suharto, que esteve no poder até 1998, reconheceu ter sequestrado militantes pró-democráticos nesta época. Este militar de 62 anos, que depois se tornou rico nos negócios, afirmou recentemente que a democracia, tal como é conhecida no Ocidente, não está adaptada à Indonésia