Articulistas

Mais do mesmo

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 2 min

E ainda não foi desta vez que houve ? ou ao menos começou ? tão propalada mudança no futebol, desde a avassaladora derrota do Brasil na Copa, frente à Alemanha. O anúncio de Dunga como novo comandante da Seleção coroa o continuísmo, marca registrada da administração Marin/Del Nero na CBF. Modelo de gestão, aliás, nada inédito, já que o atual mandatário herdou o cargo do quase eterno Ricardo Teixeira.

Mudaram-se os nomes da comissão técnica, apenas. Dunga fez uma boa campanha frente à Seleção nos quatro anos que antecederam a Copa do Mundo de 2010, quando o Brasil foi desclassificado por uma já forte Holanda, de virada, graças a erros individuais de Júlio César e do destemperado volante Felipe Melo. 

Contudo, não era a hora de reaver supostas injustiças treinador recontratado. Apesar do nome do técnico ser o de menos, pois mudanças muito mais profundas são necessárias, um bom choque de gestão seria dado com o anúncio de alguém fora do círculo vicioso da CBF, estabelecido desde 1994 (salvo poucas exceções). Um técnico estrangeiro ajudaria a reciclar e arejar o ambiente. 

Mas quis que o imediatismo de sempre e a visão engessada de nossos dirigentes que Dunga, novamente, assumisse o posto do qual, dizem muitos, não deveria ter saído após a derrota nas quartas-de-final no Mundial da África do Sul. 

E assim seguiremos à mercê de talentos ? cada vez mais minguantes ? que surgem por obra do destino. Ao menos, garantem os defensores da nova Era Dunga, vai acabar a farra de cabeleireiro (a que ponto chegamos) na véspera de jogo, ou apresentador "gente fina" amigo dos jogadores, celebridades e afins interromper treino às portas de estreia em Copa do Mundo. 

A Seleção pode até melhorar. Mas o futebol brasileiro, ao que tudo indica, continuará na mesma. Times do interior sobreviventes apenas com a camisa, mantida por mecenas, atletas nas mãos de agentes que esfregam as mãos, pensando nas cifras, logo que vêem os primeiros vestígios de talentos em "mercadorias precoces" enviadas para fora do País, clubes grandes também cada vez mais enfraquecidos e dependentes da televisão. 

Logo tem amistoso da Seleção. Ano que vem tem Copa América. O Brasileirão logo pega fogo e nos esqueceremos daquilo que é empurrado, novamente, para debaixo do tapete e, assim, deverá estar. Até a próxima catástrofe. E segue o círculo vicioso. 

O autor é jornalista em Bauru

Comentários

Comentários