Pouco mais de um ano após matéria publicada no JC noticiando sua façanha, o 1º tenente Nilson Rafael Oliveira Gasparelo agora já integra, oficialmente, a posição cinco ala externa esquerda da formação de sete aeronaves da Esquadrilha da Fumaça - da Força Aérea Brasileira (FAB) -, no comando do Super Tucano A-29. Nesta semana, ele esteve em Bauru ministrando palestras e recebeu a reportagem na tarde de ontem, após falar para as crianças do Centro Educacional do Deficiente Auditivo (Cedau) do Centrinho/USP.
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Divulgação EDA
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O tenente Gasparelo espera que os pequenos tenham inspiração nele para também seguir a carreira |
A notícia de um ano atrás enfatizava: “Esquadrilha abriga o 1º bauruense”, fato mais do que confirmado por Gasparelo, com brilho nos olhos. Depois de estudar em escolas públicas, no Colégio Técnico Industrial (CTI) da Unesp, na Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCar) e na Academia da Força Aérea (AFA) hoje, além de piloto oficial da tradicional esquadrilha, ele também é instrutor.
“Para voar, qualquer piloto do mundo precisa de concentração, mas o essencial do trabalho da Fumaça é o treinamento. Ninguém aprende acrobacia de um dia para o outro. É preciso treinar e muito”, disse.
Uma mensagem de apoio e incentivo para quem tem o mesma meta que ele: “Independente do objetivo, é preciso ter foco e fé. No jargão militar: ‘fé na missão’. E trabalhe para que isso ocorra”, completou, com um sorriso. Confira os principais trechos da entrevista:
Jornal da Cidade – Como foi sua trajetória?
Nilson Gasparelo - Eu nasci em Bauru, saí daqui com 17 anos. Estudei sempre em colégios públicos, estudei eletrônica no CTI e prestei concurso para a EPCar, que é uma escola de ensino médio, em Barbacena, Minas Gerais, onde fiz o terceiro ano novamente, para depois seguir para a Academia da Força Aérea, em Pirassununga. São quatro anos de formação. Fiz o curso de piloto, pilotagem militar, além da formação em ciências aeronáuticas, que equivale à aviação civil, fiz curso de administração. São duas faculdades em quatro anos, período integral, internato. Quando me formei na Academia, fui para Natal. Me formei em curso de pilotagem de Caça, fui para Campo Grande, morei dois anos lá e resolvi voltar para Natal como instrutor. Fiquei três anos e tive a oportunidade de me candidatar a piloto da Fumaça.
JC - Como foi a escolha de sua profissão?
Gasparelo - Algumas das atribuições da Esquadrilha da Fumaça são: estimular e desenvolver a vocação aeronáutica. E eu tive vontade de seguir carreira militar, não necessariamente na Esquadrilha da Fumaça. Quando eu era criança, mais ou menos quando tinha uns 10 anos, eu vi uma demonstração da Esquadrilha da Fumaça, aqui em Bauru. A partir daí, despertou o interesse e, anos depois, resolvi seguir carreira.
JC - Como é a sua rotina diária?
Gasparelo - É uma rotina normal. Não deixei de fazer nada do que eu fazia. Eu voo todos os dias. Os voos de treinamento são de segunda a sexta-feira. As demonstrações, geralmente, são aos finais de semana, e quando isso acontece, treinamos todos os dias da semana. Voamos de uma a duas horas por dia, e também faço trabalho de chão: sou chefe da seção de navegação.
JC - E a aeronave que você pilota agora? Qual a diferença da A-29?
Gasparelo - O T-27 é uma aeronave de treinamento básico, utilizada na formação dos cadetes da Força Aérea. O A-29 existe desde 1983. É uma aeronave nova, fabricada pela Embraer. Uma das atribuições da Fumaça é demonstrar a capacidade da indústria aeronáutica nacional, nada mais justo do que utilizarmos uma aeronave moderna.
JC- Você tem uma expectativa muito grande de se apresentar aqui?
Gasparelo - Na verdade, até tenho. A expectativa do solo é diferente, mas não podemos deixar sentimento atrapalhar. Independente do local da apresentação, o foco na missão, no voo, é o mesmo. É sempre bom voltar na cidade que a gente nasceu, talvez um dia, fazer a mesma coisa que fizeram comigo, quando eu estava assistindo uma demonstração. O sentimento é esse: será que algum dia alguém vai lembrar, se inspirar em mim e vai seguir carreira?
