Finbarr OReily/Reuters |
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Um homem palestino segura uma menina que, segundo médicos, ficou ferida durante o ataque à escola
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Pelo menos 15 pessoas foram mortas e muitas ficaram feridas nesta quinta-feira (24), após forças israelenses terem disparado fogo de artilharia contra uma escola administrada pela ONU que abrigava refugiados palestinos no norte de Gaza, disse um porta-voz do ministério da Saúde de Gaza, Ashraf al-Qidra.
O diretor de um hospital local disse que vários centros médicos ao redor de Beit Hanoun estavam recebendo os feridos.
“Tal massacre exige mais do que um hospital para lidar com a situação”, disse Ayman Hamdan, diretor do hospital de Beit Hanoun.
Finbarr OReily/Reuters |
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Poças de sangue podiam ser vistas no chão e nas mesas dos estudantes no pátio da escola |
Um fotógrafo da Reuters no local disse que poças de sangue podiam ser vistas no chão e nas mesas dos estudantes no pátio da escola, perto do aparente impacto de um projétil de artilharia.
Diversas famílias que vivam na escola correram com seus filhos para o hospital onde as vítimas estavam sendo atendidas, a algumas centenas de metros.
Laila Al-Shinbari, mulher que estava na escola no momento do bombardeiro, disse à Reuters que as famílias haviam se reunido no pátio para esperar um comboio da Cruz Vermelha para retirá-las de lá.
“Todos nós no sentamos em um lugar quando de repente quatro projéteis acertaram nossas cabeças… corpos estavam no chão, (havia) sangue e gritos. Meu filho está morto e todos os meus parentes foram mortos, incluindo meus outros filhos”, disse ela em prantos.
Chris Gunness, porta-voz da principal agência da ONU em Gaza, a UNRWA, confirmou o ataque e criticou Israel.
“Coordenadas precisas do abrigo da UNRWA em Beit Hanoun foram formalmente dados para o Exército de Israel… no curso do dia, a UNRWA tentou coordenar com o Exército israelense uma janela para que civis deixassem o local, mas isso não foi concedido”, disse Gunness em sua página no Twitter.
Mais cedo nesta quinta-feira, Gunness disse à Reuters que forças de Israel haviam atacado abrigos da ONU em três ocasiões diferentes desde segunda-feira, em incidentes que não causaram vítimas.
O Exército de Israel não comentou imediatamente a questão.
Israel rejeita crítica do Brasil à ação em Gaza e diz que país é 'irrelevante'
Diogo Bercito, Natuza Nery e Carolina Linhares / Folhapress
O governo de Israel reagiu duramente nesta quinta-feira (24) às críticas feitas pelo Brasil à operação militar na faixa de Gaza.
À reportagem a Chancelaria de Israel afirmou que o "comportamento" do Brasil "ilustra a razão por que esse gigante econômico e cultural permanece politicamente irrelevante". Além disso, o governo disse que o país escolhe "ser parte do problema, em vez de integrar a solução".
O "comportamento" ao qual Tel Aviv se refere é um comunicado distribuído na noite de quarta (23) em que o Itamaraty condena o "uso desproporcional da força" por parte de Israel e não faz referência às agressões de palestinos contra israelenses.
No dia 17, comunicado similar afirmava condenar "igualmente" os bombardeios israelenses e os ataques de Gaza. Daquela vez, o Brasil também expressava "solidariedade" com vítimas "na Palestina e em Israel". Agora, fala somente no "elevado número de vítimas civis, incluindo mulheres e crianças" deixado pelos ataques israelenses.
Também nesta quarta (23), o governo brasileiro chamou o embaixador de Israel em Brasília, Rafael Eldad, para expressar seu protesto, e convocou o embaixador brasileiro em Tel Aviv, Henrique Pinto, de volta a Brasília. Na linguagem diplomática, o protesto feito a Eldad e a convocação de Pinto são sinais fortes de desagrado.
Em seu site, a diplomacia israelense acusou o Brasil de "impulsionar o terrorismo" e afirmou que isso, "naturalmente", afeta a "capacidade do Brasil de impulsionar influência".
Na nota, Israel se diz "decepcionado" com a convocação do embaixador brasileiro e observa que a atitude "não reflete" o nível das relações bilaterais, além de "ignorar o direito de Israel de se defender". "Israel espera apoio de seus amigos em sua luta contra o Hamas, reconhecido como uma organização terroristas por muitos países", afirma.
Horas após a forte reação israelense, o chanceler brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo, minimizou a crise, dizendo que a "discordância entre amigos é natural". Em visita a São Paulo, ele disse que o comunicado do Itamaraty nesta quarta (23) -e que contou com aval da presidente, segundo a reportagem apurou- não apaga as críticas feitas anteriormente ao Hamas só porque não as menciona.
"O gesto que tinha que ser feito foi feito. O Brasil entende o direito de Israel de se defender, mas não está contente com a morte de mulheres e crianças", explicou.
Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que o Itamaraty e o Palácio do Planalto ainda estudam a melhor reação para um comentário considerado "tão duro". Se, de um lado, alguns diplomatas brasileiros alertam para que não se "bata boca" com Tel Aviv, outros analisam ser necessário uma resposta enérgica da própria presidente da República para responder a crítica à altura.
Em Gaza, o gesto brasileiro foi recebido com festa. Palestinos se aproximaram da reportagem para expressar gratidão ao governo Dilma Rousseff. "Obrigado por convocar seu embaixador", disse Tawfiq Abu Jamaa, em Khan Yunis. "O Brasil é melhor do que os países árabes, como o Egito, que não fazem nada."
Outro palestino, Sabri Abu Jamaa, disse que "a população civil, em Gaza, não precisa de recursos. Precisa de palavras de apoio, como as brasileiras".
Desde que a operação israelense batizada Margem Protetora começou, no último dia 8, mais de 700 palestinos -na maioria civis- foram mortos. Do lado israelense, foram 32 militares e três civis, sendo um cidadão tailandês. O intuito da operação é desmantelar o movimento radical islâmico Hamas, que governa Gaza.

