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Estudo usa vírus contra infecções

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) pesquisam, há cerca de cinco anos, um modo de dispensar o uso de antibióticos no combate a infecções. Uma técnica promissora utiliza vírus conhecidos como bacteriófagos, que extinguem as bactérias sem causar danos ao organismo humano.

 

O processo, chamado fagoterapia, se mostra como um possível caminho para tratar, inclusive, as superbactérias, resistentes à maioria ou mesmo a todos os antibióticos. Em visita a Bauru nesta semana para a aula inaugural do curso de pós-graduação em microbiologia das Faculdades Integradas de Bauru (FIB), um dos pesquisadores da USP, o professor Nilton Lincopan, explicou a descoberta ocorreu.

 

“Estávamos monitorando os rios Tietê e Pinheiros para avaliar o impacto do efluxo hospitalar e, lá, encontramos uma superbactéria. No laboratório, isolamos um vírus (bacteriófago) e observamos que ele começou agir de forma seletiva, ou seja, a atacar exclusivamente estas bactérias”, comenta ele, que integra um grupo do departamento de microbiologia da USP sobre resistência bacteriana e alternativas terapêuticas.

 

Após testes realizados em placas de cultura e in vitro, estudos genéticos tiveram início com o objetivo de desenvolver um medicamento que pudesse reproduzir, no corpo humano, o processo de fagoterapia. “Inicialmente, seria um fármaco de uso tópico”.

 

Não há, no entanto, data prevista para que o remédio esteja, de fato, disponível para a população. Embora estudos semelhantes estejam sendo conduzidos em outros países, a patente brasileira já foi registrada pela USP. 

 

“São diversas fases e, entre elas, temos de demonstrar que não se trata de um produto tóxico e que possui resultados efetivos. Por isso, podemos levar mais de 15 anos até ele chegar ao mercado”, completa Lincopan.

 

Uso indiscriminado

 

De acordo com o professor, os experimentos já demonstraram que bacteriófagos possuem ação efetiva sobre infecções localizadas. E, como se trata de uma alternativa ao uso de antibióticos, poderá ser uma importante descoberta no combate às superbactérias que, depois de inúmeras mutações, se tornaram resistentes ao medicamento.

 

“Do ponto de vista genético, se o seu organismo é suscetível, qualquer bactéria pode se transformar em uma superbactéria. É o que ocorre, por exemplo, com pacientes com infecção urinária recorrente, que são tratados com antibióticos para controlar a ação de uma bactéria, que acaba resistindo por toda a vida”. 

 

Neste sentido, o pesquisador critica o uso indiscriminado de antibióticos, algo que favorece o aumento da resistência destes micro-organismos danosos. Na opinião dele, mesmo com a exigência de retenção de receita para a venda deste tipo de medicamento, que vigora há quase dois anos no País por determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pouco de avançou sobre o consumo racional dessas substâncias.

 

“A prescrição continua errada. Voltando ao exemplo do paciente com infecção urinária, normalmente o médico receita o antibiótico após fazer um exame clínico simples”, considera.

 

Bauru volta a ter um curso de pós em microbiologia

 

Bauru voltará a contar, a partir de agosto, com o curso de pós-graduação lato sensu em microbiologia, oferecido pelas Faculdades Integradas de Bauru (FIB). O pesquisador Nilton Lincopan será um dos docentes, ao lado de outros doze professores, sendo nove também do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP).

 

“Eles possuem uma massa crítica científica invejável e trarão tudo o que há de novo na área. Em alguns anos, nossa intenção é formar um polo em Bauru, algo que ainda não existe no Interior”, comenta Manoel Armando de Azevedo dos Santos, microbiologista e coordenador do curso.

 

A especialização, que já formou quatro turmas em Bauru, é indicada a todos os profissionais, inclusive engenheiros, que tenham estudado microbiologia durante a graduação. Os interessados devem se inscrever até 15 de agosto na secretaria da FIB. As aulas serão ministradas nas noites de sexta e manhãs de sábado, a partir do fim de agosto.

 

O curso possui duração de um ano, mas demanda do aluno dedicação de mais três meses para elaboração de trabalho em laboratório, que deverá ser aceito para publicação em revista para que o pós-graduando seja aprovado. “As opções para o TCC são em microbiologia básica, médica, dos alimentos ou do meio ambiente”, completa Santos. 

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