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Os homens amam mais as orquídeas?

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

O público masculino é, disparado, maioria nos estandes da 42ª Exposição Nacional de Orquídeas, que tem seu último dia de realização hoje no Sesi, com entrada pela quadra 5 da rua Aviador Gomes Ribeiro, Altos da Cidade. Mas por qual razão os homens são “visivelmente” mais apaixonados pelas orquídeas que as mulheres?

 

É exatamente na forma de ver e conviver com essas plantas que está a resposta, segundo os orquidófilos. As mulheres que não levem a mal, mas, de forma unânime, a opinião masculina a respeito da preferência é de que os homens as colecionam e as mulheres, admiram.

 

Ou seja, em razão disso, o público masculino procura preferencialmente plantas não pela beleza das pétalas e sua ornamentação, mas pela particularidade da espécie e elementos bem mais profundos que a florada. 

 

E o presidente do Círculo Bauruense de Orquidófilos, Antonio Aparecido Ribeiro de Camargo, garante que a avaliação não é nenhuma provocação. “A mulher é mais caprichosa que o homem também na lida com as plantas, mas, no caso das orquídeas, há um amor singular consolidado. A mulher chega à exposição, em geral, para encher os olhos com a planta e o homem conversa, namora a planta, com o espírito de colecionador”, argumenta.

 

Por esta razão é muito comum observar homens, na exposição, enamorando orquídeas sem uma pétala sequer. “É que os homens observam o formato, a raridade, os elementos que são mais belos para a visão do colecionador. Ele leva a planta para casa para cultivar, para ver formar a flor”, amplia.

 

A observação respeitosa e carinhosa de Antonio Aparecido diante da preferência masculina pelas orquídeas se fez presente ontem na exposição no Sesi. Basta uma “corrida de olhos” pelo local para confirmar que eles são maioria.

 

“Outra coisa intrigante para o público que não consegue entender por qual razão o homem gosta tanto da orquídea é que, além da beleza, a planta é muito fácil de cultivar, ao contrário do que imaginam. A orquídea precisa de cuidados básicos, como proteção excessiva do sol, adubo e água”, cita Antonio.

 

A planta é hospedeira e não parasita e, no dia a dia, se dá muito bem fixada  apenas com um pedaço de madeira. “Ela na natureza está protegida pela sombra da árvore. Em casa, é preciso levar isso em conta. Ela se alimenta do pó natural que cai das árvores, das fezes dos pássaros e da própria deterioração natural da árvore na sua casca, onde a orquídea se fixa”, explica o presidente.

 

Luiz Francisco Della Tonia, enfermeiro do trabalho, tem a planta há mais de 20 anos. “Eu gosto muito e é fácil de lidar. Eu gosto de observar muito a variedade das espécies e também as híbridas. Tenho um orquidário em casa”, contou, enquanto observava atentamente detalhes de uma delas.

 

Evoluídas

 

As orquídeas e bromélias são consideradas plantas evoluídas por terem de se adaptar às copas das árvores para sobreviver. Elas se adaptam com extrema facilidade à casca das árvores e estão em busca de um pouco de luz para fazer a fotossíntese. Suas raízes não penetram no caule e são cobertas por tecido esbranquiçado para evitar que queimem e desidratem. Um sistema de proteção. A evolução ainda fez com que as orquídeas “aprendessem” a se alimentar até das partículas de poeira trazidas pelo vento.

 

Elas compõem a família da Orchidaceae, pertencente à ordem Asparagales, uma das maiores famílias de plantas existentes.

 

Na roda

 

A maioria masculina na exposição é tal que é comum formarem-se rodas de conversa só com vozes em tons mais graves. Também é maciça a presença de aposentados entre os amantes de orquídeas. O aposentado Dilson Diniz estava conversando com o funcionário público João Carvalho, quando o construtor Luiz Manoel Amâncio se aproximou e, logo em seguida, vieram os também aposentados Lourivaldo Barbosa da Silva e Valdemar Antonio do Prado para a roda.

 

Não é questão de clube do bolinha, disseram à reportagem, é que “homem tem mais jeito com orquídea mesmo e gosta mais”, repetiram. E bastou se integrar ao grupo por apenas alguns minutos para receber, espontaneamente, informações sobre a planta que eles tanto veneram.

 

“A orquídea dura tanto tempo quanto o dono tem amor por ela”; “Tem gente que tem a mesma orquídea por mais de 50 anos”, exagerou um deles, mas garantido haver veracidade na afirmação. Na exposição, que tem seu último dia de realização hoje, das 9 às 17h, há espécies para todos os bolsos. Tem planta de R$ 5,00 a R$ 1.000,00. A importação define a diferença de valor, entre outros elementos.

 

A exposição integra os festejos do aniversário de Bauru, uma realização do Círculo Bauruense de Orquidófilos com apoio da Prefeitura de Bauru, do Sesi, do JC e da 96FM. 

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