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Famosa empada, cuja receita da matriarca ganha adeptos com recheios variados: tentadora
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A região de Bauru é farta em itens gastronômicos que fazem toda a diferença. O doce de leite de Agudos foi para o Guia Sabor São Paulo depois de ser finalista no Festival Gastronômico Sabor SP.
A receita original da guloseima utilizada pelo casal fabricante é dos avós paternos do doceiro. Depois de uma repaginada, onde recebeu recheio e doses exatas de açúcar, a iguaria passou a ser um atrativo a mais para a cidade.
Moradores da região frequentam a loja de doces instalada no Distrito Industrial de Agudos. Lá, os “gulosos de plantão” encontram ainda doces caseiros de mamão, abóbora, banana, paçoca e também pé de moça.
Mas o pé de moça mais famoso da região é fabricado por uma empresa de Piratininga. O pé de moleque mole que leva leite condensado na massa é o carro chefe do fabricante. Ele ‘viaja” para todo o país, levando o nome da cidade.
É em Piratininga também que é fabricado o pingo de leite e o chupe-chupe que fez a alegria das crianças na década de 80. O fabricante trouxe a receita de Cerqueira César. Ele distribuí a iguaria para todo o país.
Em Agudos, pastel de três tamanhos é a atração. A receita básica é do estabelecimento e as inovações são criadas pelos clientes.
É da cidade de Macatuba que parte até Manaus, as massas de raviolli, lasanha, rondelli, sofiatelli, tortas e molhos. A empresa é fruto de uma “herança” deixada pela mama da proprietária, uma italiana que mereceu a homenagem de ter seu nome cravado nas embalagens, Dona Thereza.
Quando o assunto é pão de mel não titubeie: vá direto para o Mosteiro de Piratininga. As religiosas fabricam um inigualável.
A pinga de Lençóis Paulista já levou o nome da cidade para todos os pontos do Brasil. Um dos mais antigos produtores, atualmente só engarrafa a bebida.
As empadas de São Manuel ganharam espaço em toda a região e estão presentes em Botucatu, Itaí e Bauru. Com toques pessoais da dona Alzira Ferreira, se tornou um salgado especial. A mais vendida é a de frango com catupiry. Confira mais sobre as iguarias a seguir.
Pastel conquista auge após 16 anos
O pastel de Agudos (13 quilômetros de Bauru) tem atraído moradores de cidades vizinhas. Famoso pelo tamanho e recheio farto ele já tem 16 anos. Em um final de semana normal são vendidos 800 pastéis. A maneira de fritar aliada ao recheio fazem da iguaria um prato apetitoso.
A massa é comprada de uma empresa especializada e o recheio é feito pelas mãos da proprietária, Dercides de Fátima dos Santos Wolber e funcionárias. “A propaganda foi feita de boca em boca. Quando começamos foi bastante difícil. Eu e meu marido tínhamos muitas dúvidas. Compramos seis jogos de cadeira e abrimos um estabelecimento acanhado. Eu ficava pensando, será que alguém vai sentar nessas cadeiras.”
As dúvidas logo foram dirimidas, porque o pastel agradou e hoje são inúmeros os sabores em três tamanhos. “O grande, o normal e o meio pastel que a clientela pediu e nós fizemos. Aqui, tudo foi assim, até a criação dos recheios. O cliente pedia e nós criávamos.”
SUPERAÇÃO
A pastelaria é fruto de uma necessidade ocorrida na família. “Meu marido, que viria a morrer em 2008, havia passado por problemas de saúde e foi dispensado da empresa em que trabalhou por 10 anos. Meu cunhado vendia pastel em um barzinho. Resolvemos fazer também, arriscar e começamos. À época, fazíamos a massa. Mas três meses depois, passamos a comprar pronta”.
O negócio deu tão certo que, segundo a comerciante, é difícil alguém entrar no estabelecimento e pedir um único pastel. “A maioria compra em média três.
Nos finais de semana, famílias inteiras entram na pastelaria e comem 10, 12 pastéis”, relata.
Doce de leite foi finalista do Festival Sabor de São Paulo
O doce de leite fabricado em Agudos participou e foi classificado no Festival Gastronômico Sabor de São Paulo no ano passado. Foi finalista e está no Guia Sabor de São Paulo. A empresa, que tem sede no distrito industrial da cidade, incrementou a receita de família e deu novo “sabor” à guloseima típica de Minas Gerais.
O doce feito pelas mãos de Regina e Arsênio De Conti Neto tem frutas no recheio o que faz toda a diferença.
“A receita é dos avós de meu marido, que eram descendentes de italianos e moravam em Agudos. Nós recheamos o doce com nozes, ameixa e damasco,” explica Regina.
De acordo com ela, há 30 anos o marido faz o doce.
“Ele é quem é o doceiro. Fazíamos com frutas encima, depois colocamos recheio. Abri uma empresa e passei a vender sobremesa industrial. Comercializo aqui. A loja tem 10 anos. Faço doces caseiros de goiaba, banana, abóbora, mamão, paçoca e pé de moça.”
Pé de moça ‘viaja’ para outros Estados
O pé de moça é iguaria fabricada em Piratininga há pelos menos cinco anos. Conhecido como um pé de moleque mole, tem sabor diferenciado por levar leite condensado na massa. Diariamente a fábrica produz 70 quilos.
A receita original de pé de moleque incrementada deu origem ao carro chefe da empresa, que também fabrica doce de abóbora e de batata.
“A demanda cresce em junho e julho por conta das festas juninas e julinas”, diz Cecília Cordeiro Manso Gonçalves. O doce conquistou o paladar dos moradores da cidade, da região e de outros Estados e responde por metade da produção diária. A confecção é um misto de artesanal e industrial.
Pingo de leite ‘domina’ local
O pingo de leite de Piratininga é famoso no Brasil todo. Embrulhado em celofane ou em saquinhos (chupe/chupe), a guloseima é produzida com receita da avó de um ex-sócio da empresa.
No início, o doce era feito nos de Cerqueira César. A iguaria responde pela metade da produção diária. E conquistou o paladar dos brasileiros, revela o atual proprietário, Celso Carvalho. “Temos representantes em todo o país. Nosso forte é o pingo Milk, feito com leite em pó. A maior venda dele ocorre nos meses de inverno. É embalado um a um sem contato manual.”
Gostinho mineiro
O Mosteiro da Imaculada Conceição de Piratininga (13 quilômetros de Bauru) fabrica o pão de mel mais famoso da região. Saborosos por si só, ele não leva recheio, mas é úmido e derrete na boca. A receita é mineira e quem as ofertou para as religiosas já morreu. Hoje, a receita é guardada a sete chaves. O ingrediente que faz a diferença é o amor ao próximo.
A madre Inês Maria do Coração de Jesus comenta que o pão de mel do mosteiro é o carro chefe das guloseimas fabricadas pelas religiosas. Todos os dias são confeccionados mais de 500 que são comercializados no próprio mosteiro, na catedral e enviados por Sedex, compras feitas pelo site do mosteiro. Segundo a madre o aumento da demanda não significa o aumento da produção.
“Todas as irmãs trabalham na confecção, mas somos poucas e por isso, não podemos aceitar todas as encomendas, especialmente as maiores”.
O preparo original veio de Minas Gerais pelas mãos da própria madre, uma legítima mineira. “Há semanas que fabricamos mais de dois mil. São levados por moradores da região e de outros Estados que nos visitam. Aqui também fazemos bolos e doces em compota e licores. Tudo artesanal.”
Empada: de São Manuel para região
A empada de São Manuel (69 quilômetros de Bauru) atravessou “fronteiras” e está presente em Bauru, Botucatu e Itaí, além da sede que está em São Manuel. A massa e os recheios usados pelos fabricantes são atrativos que diferem o salgado. A receita da matriarca sustenta toda a família. Diariamente, a empresa gasta 36 quilos de farinha de trigo para a confecção das empadas. “Os recheios são inusitados, diferentes segundo a comerciante Samantha Michelle Feliciano Ferreira. “Fazemos empadas com recheio úmido de brócolis, tomate seco com ricota, champignon. Além dos tradicionais. Os que mais vende é frango com catupiry seguido de palmito e calabresa com queijo. A família inteira trabalha com empada.”
Ela conta que a sogra pegou uma receita de empada da caixa de uma batedeira. “Naquela época era comum vir receitas estampadas nas caixas de eletrodomésticos. Ela aperfeiçoou e chegou nessa que usamos agora. Minha sogra fundou a casa da empada aqui. Mas depois vendeu e quando recomeçamos batizados de Flabella que é as iniciais do nome de meus dois filhos; Flávio e Isabella.”
A sogra, dona Alzira tem hoje 59 anos e ainda faz empadas, só que agora em Botucatu. “Ela ainda trabalha. Eu faço empadas há 16 anos. Ela conseguiu dar uma repaginada na receita original e isso fez toda a diferença.”
Massas da região chegam a Manaus
Uma fabricante de massas italianas que já completou maioridade nasceu na cidade de Macatuba (46 quilômetros de Bauru). A marca leva o nome da cidade para outros Estados e tem o “batismo” da mama da proprietária.
“Dona Thereza era minha mãe, uma italiana que após casar veio morar em Macatuba. Ela fazia massas muito bem e participava da vida da comunidade. Quando fundei a empresa, o prefeito à época me pediu para colocar o nome dela, que era e é muito forte na cidade. Minha mãe já tinha morrido quando começamos as atividades”, explicou a filha, Eliana Fantini.
De acordo com a empresária, em 1996 a fábrica de massas começou a funcionar na incubadora de empresas da prefeitura.
“Permanecemos lá pelo tempo permitido. Em 1998/1999, passamos a construir nossa sede, local que estamos até hoje. No início tínhamos dois colaboradores, hoje temos 42.”
O processo inicial era bem artesanal. Batatas que dariam origem ao nhoque eram cozidas e amassadas manualmente. O capeleti era cortado na mão, em quadradinhos um a um. O mesmo acontecia com lasanha, rondelli, caneloni etc.
“Com o tempo a empresa foi adquirindo máquinas e eliminado os processos. Porém, nunca deixamos a receita caseira.”
SEM QUEBRAR
A empresária ressalta que a receita da “mama” nunca deixou de ser prioridade.
“Mudamos alguns processos que dão agilidade, mas conservamos o princípio. Farinha de ótima qualidade, ovos de primeira, do contrário, não dá para fazer a manta com o qual fazemos as massas recheadas. Atualmente não quebramos ovos, usamos o pasteurizado.”
As massas fabricadas em Macatuba “viajam” quilômetros. “Atendemos todo o Estado de São Paulo, além Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais e Manaus.”
Lençóis e sua história com os alambiques
Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru), na década de 40, construiu fama com bebida. Visitantes procuravam alambiques para comprar a cachaça.
Porém, com a chegada das usinas de açúcar e álcool, os descendentes de italianos foram vendendo ou arrendando suas propriedades e aos poucos, os alambiques foram fechando.
Lourival Paccola, um dos mais antigos produtores de pinga em Lençóis, atualmente só engarrafa e comenta que entre 1945 e 46, o município tinha 52 alambiques. Segundo ele, embora no município só estejam três produtores, sendo um deles de cachaça mais nobre, a pinga continua sendo boa. “A pinga tem que ser boa, do contrário, não vende.”
