O ex-soldado da Polícia Militar Cláudio José da Fonseca foi condenado a 16 anos e quatro meses de prisão pela morte do perueiro Sidney de Lima Advento, 24, em 2001. A sentença foi determinada em julgamento realizado na última quinta-feira (24) no fórum da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo. A defesa vai recorrer.
Advento foi morto com 12 tiros dentro de sua casa, após uma perseguição policial pela zona sul da capital paulista.
Familiares da vítima disseram que Fonseca e um sargento da PM fizeram os disparos contra Advento, que estava escondido debaixo de uma cama. Os policiais, porém, afirmaram que tinham sido recebidos a tiros após a perseguição.
Na ocasião do crime, a corporação admitiu que a ação teve falhas operacionais e que havia a suspeita de abuso. Os dois policiais chegaram a ser presos após o crime, mas foram soltos pouco mais de um mês depois. Antes do júri, o outro policial que participou da ação, Lucas da Silva Borges, morreu, e Fonseca foi expulso da Polícia Militar.
O crime
Segundo a acusação, Advento fazia a linha Guacuri-Shopping Interlagos e tinha oito passageiros dentro do veículo quando fugiu de uma fiscalização do CPTran (Comando de Policiamento de Trânsito) na avenida Nossa Senhora do Sabará. Os policiais de trânsito começaram a segui-lo e, por rádio, pediram reforço da tropa da área, que engrossou a perseguição.
O comboio, segundo a própria polícia, perseguiu Advento durante 30 minutos por diversas avenidas da zona sul, terminando na casa do perueiro. A chegada à casa foi anunciada pelo perueiro por telefone. Segundo familiares dele, o rapaz ligou de seu celular, durante a fuga, para que os portões fossem abertos.
Pelo relato da família, Advento, perueiro clandestino havia três anos, entrou correndo, pedindo ajuda ao avô, que morava nos fundos. O avô contou na ocasião que o neto, assustado, escondeu-se embaixo da cama de casal de seu quarto.
A PM, de acordo com a família, invadiu a casa, empurrou Geraldo e atirou.A versão da polícia só era igual à da família até a porta da casa do perueiro. Os policiais negaram qualquer agressão a Geraldo e diziam que, ao entrar no quarto, Advento os recebeu a tiros, sem estar escondido sob a cama. Eles levaram à delegacia um revólver calibre 38, com numeração raspada, que teria sido usado pelo rapaz.
O perueiro chegou a ser levado pela polícia ao Hospital do Jabaquara, onde chegou morto.