Fotos: Bruno Freitas |
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A motorista precisou ser retirada das ferragens por duas tesouras mecânicas, em ação conjunta da PM, Samu e Corpo de Bombeiros |
Um veículo escolar que transportava oito crianças, de acordo com o boletim de ocorrência (BO), envolveu-se em um grave acidente no início da manhã desta segunda-feira (28), por volta das 7h15, na quadra 23 da avenida José Vicente Aiello, no Parque das Nações, cerca de 200 metros do Cemitério Parque Jardim do Ipê, em Bauru. Os condutores de ambos os automóveis, que ficaram presos nas ferragens, tiveram ferimentos graves. As crianças, com idades entre 2 e 8 anos, foram socorridas com escoriações pelo corpo.
Conforme o JCNet apurou com testemunhas no local, a motorista da van escolar, Mariza Aparecida da Costa, 43 anos, que seguia sentido bairro-Centro, teria sofrido um mal súbito na direção e colidido de frente com um Astra, conduzido pelo vendedor Donizete de Souza Farias, 42 anos, que estava à caminho do trabalho, sentido à rodovia João Baptista Cabral Rennó (SP -225).
“Ela (Mariza) vinha na minha frente e, de repente, começou a perder o controle da direção e passou a fazer um zig-zag na pista, trocando de faixa e quase subindo no barranco do acostamento. Depois ela voltou para a contramão, pisou no freio, mas bateu forte de frente com o Astra”, informou o biomédico Rafael Cesar, 24 anos, que voltava de carro para casa do seu plantão.
Ainda de acordo com Rafael, logo após a batida, as crianças estavam em pé na van, chorando e gritando assustadas. Segundo ele, os dois veículos não estavam acima da velocidade permitida no trecho, que é de 40 km/h.
Socorro
Foi preciso uma operação em conjunto envolvendo o Corpo de Bombeiros, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a Polícia Militar (PM) e os Agentes de fiscalização de Trânsito (GOT). Um congestionamento de cerca de 5 quilômetros se formou no local.
Os bombeiros utilizaram dois desencarceradores, vulgarmente conhecidos como tesouras mecânicas, para fazer o corte da van para resgatar a condutora presa nas ferragens, que teve ferimentos múltiplos, principalmente braços, abdômen e fratura nas duas pernas. Ela gritava e chorava de dor e precisou de uma aplicação de soro na veia durante o resgate, que durou cerca de 30 minutos. Ela passou por um procedimento cirúrgico durante toda a manhã e passa bem.
A monitora do veículo escolar, de 24 anos, que sofreu uma pancada na cabeça, também informou que a motorista provavelmente teria se sentido mal. Já Donizete de Souza Farias, condutor do Astra, teve ferimentos na região da cabeça e bateu o peito no painel, retorcendo o volante do carro. Ele foi socorrido em estado grave, porém estável.
Apenas uma das crianças, uma menina de aproximadamente 7 anos, teve um corte mais profundo na perna esquerda e precisou ser socorrida junto com os outros três adultos feridos. Todos foram encaminhados ao Pronto-Socorro Central (PSC). As demais vítimas tiveram alguns cortes na boca, mãos e sentiram as dores provenientes das pancadas nas pernas. Os pais estiveram no local e levaram as crianças para suas casas. Eles foram aconselhados pelos bombeiros à levarem os filhos ao PS Infantil durante o dia.
"Foi por sorte"
“Era para o meu filho de 2 anos estar aí na van, ele poderia ter sido uma das vítimas, mas, por sorte ou ironia do destino, eu perdi a hora e não deu tempo de eu colocá-lo para ir na escolinha”, disse a doméstica Aurimar Araújo, 36 anos, moradora do Parque das Nações.
Segundo ela, que foi até o local para saber o estado de saúde das vítimas, a motorista da van é de total confiança e nenhum episódio semelhante havia acontecido anteriormente. “Ela é uma ótima profissional. Deve ter passado mal e sofrido o acidente. Acontece. Estamos sujeitos à isso, mas graças a Deus nenhuma das crianças se machucou com gravidade”, disse.
Fotos: Bruno Freitas |
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Sete crianças estavam na van e todas foram socorridas com escoriações leves; uma delas, de 2 anos, no colo da mãe, escapou do acidente porque a doméstica Aurimar Araújo, 36 anos, perdeu a hora: "foi Deus" |
Obrigações do transporte escolar
Segundo a cartilha do Procon-SP, o veículo e o motorista que prestam serviço de transporte escolar devem ser credenciados na prefeitura e apresentar certificado do curso de treinamento para transporte de crianças com deficiência e mobilidade reduzida. A prefeitura pode ser procurada para saber se o motorista que transporta seu filho está em dia com tais deveres.
Comissão aprova obrigatoriedade de monitor treinado em transporte escolar
Os responsáveis pelo transporte escolar podem ser obrigados a contratar monitor treinado para orientar estudantes menores de 12 anos ou deficientes com relação à segurança de trânsito durante as viagens e auxiliá-los no embarque e desembarque do veículo.
O Código de Trânsito, apesar de estabelecer normas para o transporte coletivo escolar, não faz referência à presença de um monitor no veículo. Já existem algumas leis municipais, mas como não há uma norma federal, fica uma brecha na legislação. De acordo com o projeto, o veículo que for flagrado sem o auxiliar devidamente habilitado será apreendido e multado.
O relator do projeto, deputado André Zacharow (PMDB-PR), acredita que, em geral, os transportes escolares, principalmente no interior do País, apresentam altos riscos. Para o deputado, a nova medida vai aumentar a segurança dos estudantes.
Segundo ele, a proposta vai dar "uma garantia, uma melhoria nesse segmento que tem dado muito problema, principalmente nas zonas rurais, no interior do País, onde esse transporte é feito de forma precária".
A proposta ainda será analisada pelas comissões de Viação e Transportes; e de Constituição e Justiça e de Cidadania, inclusive quanto ao mérito. Depois, será votada pelo Plenário.
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