Tribuna do Leitor

Um novo paradigma trabalhista?


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Apenas três dias de trabalho por semana. Isso é o que defende Carlos Slim, um dos empresários mais bem sucedidos do mundo. Segundo o jornal "Financial Times", o bilionário Carlos Slim justifica-se da seguinte forma: se os trabalhadores tiverem a obrigação de cumprir apenas três dias úteis por semana, então a sua produtividade irá aumentar na mesma proporção que a sua saúde.

Isso, pois, ao se trabalhar apenas três dias semanais, o profissional passa a dispor da maioria dos dias da semana para se dedicar ao lazer, à saúde e à família. Tanto tempo livre garante uma melhora na sua qualidade de vida e, por isso, gera também um aumento de sua produtividade quando estiver cumprindo a sua função profissional.

Concordando com o pensamento do empresário Carlos Slim está o pensamento do médico britânico John Ashton, que defende uma semana de atividade profissional de, no máximo, quatro dias. Ashton é um importante pesquisador de saúde pública. Ele atua há mais de 40 anos lidando com esse tema.

Em entrevista ao jornal "The Guardian", o médico não usou apenas argumentos bio-psicológicos para defender uma menor carga horária de trabalho, mas também argumentos sócio-econômicos. Ashton defende que ao diminuir as jornadas de trabalho se está ajudando também a combater o desemprego, pois ao diminuir as jornadas se aumenta, por consequência, a necessidade de contratação de novos profissionais. Tal contratação é um gasto extra para as empresas, mas que, segundo o pesquisador, é um gasto compensado pela maior produtividade dos profissionais que estão mais saudáveis e menos estressados, ou seja, estão mais produtivos.

Diversas empresas, especialmente as de comunicação e tecnologia, já adotam formatos inovadores de trabalho. A Google e o Facebook, por exemplo, são conhecidas pela flexibilização de horário que concedem aos seus funcionários. Também são flexíveis os locais de trabalho e, em alguns casos, até a figura tradicional do chefe é minimizada nessas empresas que seguem um novo paradigma de produtividade.

Importa ainda frisar a convergência desse novo paradigma trabalhista com as ideias já famosas do sociólogo italiano Domenico de Masi, que defende o conceito de ?ócio criativo?. Enfim, a liberdade criativa dos profissionais somada à sua qualidade de vida (menor estresse) gera uma maior produtividade durante o trabalho, mesmo que cumprindo uma carga horária bem menor que as tradicionais (e extenuantes) 40 horas semanais.

Wellington Anselmo Martins, graduado e mestrando em filosofia / am.wellington@hotmail.com

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