Achei que ia demorar até ver uma coletiva com Felipão novamente. Afinal, depois do fiasco dos fiascos na Copa das Copas, era esperado que o treinador ficasse um bom tempo na geladeira – o que seria bom para ele, principalmente.
Vinte dias. Foi esse o tempo entre os 7 a 1 da Alemanha e o anúncio feito pelo Grêmio, ontem. Ao lado do seu fiel escudeiro Murtosa, Felipão assume mais uma vez o comando do tricolor gaúcho.
Da última vez que se posicionou frente aos jornalistas, Scolari surpreendeu ao não baixar a crista. Cheio de folhas de papel que mostravam o desempenho da Seleção, apegou-se ao retrospecto para tentar explicar o inexplicável. Falou, falou, falou, mas não tinha nada a dizer. Tratou o resultado como um acidente. Era mais fácil entrar por aquela sala, pedir desculpas e assumir sua grande porcentagem de culpa nos sete gols da Alemanha.
Hoje, Felipão se reapresenta em mais uma entrevista coletiva. Dessa vez, pelo menos, não teremos a cartinha de dona Lúcia - Parreira não embarcou nessa.
Vamos pular 2002 e buscar resultados mais recentes. Nos últimos dez anos, Felipão perdeu uma Eurocopa com Portugal para a Grécia jogando em casa; foi demitido do Chelsea sem deixar saudade; demitido de um time do Uzbequistão; rebaixou o Palmeiras; virou técnico da Seleção; e comandou a vergonha nacional. O prêmio? Assume o Grêmio. Prato cheio para as provocações dos rivais colorados, que não perdoam classificando esse como o maior castigo possível ao treinador.
Apenas um motivo me leva crer que Scolari pode dar certo no Grêmio. Para acreditar que não vai dar, tenho sete.
Felipão é gremista confesso e o Grêmio aposta nisso. Exemplo claro da união do inútil ao desagradável. E não é? O time gaúcho está no meio da tabela e não consegue engrenar nem com reza brava. Já Scolari colecionou inimizades e ultimamente não tem agradado muita gente.
O Grêmio precisava de um treinador que lhe devolvesse a identidade gaúcha. Felipão precisava ser acolhido - nada melhor do que voltar para casa. Pode dar certo.
Grêmio e Felipão morrerão e viverão abraçados. Seja onde for. Como diz o poema, “com o Grêmio, onde o Grêmio estiver”, e vice-versa.