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As contradições da equipe econômica

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

Quem convive no meio empresarial percebe que o ambiente para negócios entrou no campo do pessimismo. Projeções do mercado apontam para crescimento econômico abaixo de 1% para este ano. Inflação acima de 6% para o ano fechado e a discussão presente é se o país já observa a chamada estagflação. Conceitualmente este estágio da economia seria uma das piores combinações: baixo crescimento e elevada inflação, levando ao desemprego.

Em meio a leitura nada animadora do desempenho econômico, com reflexos evidentes na queda nas vendas, redução na geração de emprego e início do processo de demissões, está a equipe econômica do atual governo. Se no início de mandado da presidente Dilma o entendimento era que finalmente o país mudaria o modelo de controle econômico, afrouxando a política monetária para uma firme e consistente política fiscal. Com o passar dos anos o que se observa é uma equipe econômica sem rumo e o que é pior, contraditória.

De um lado o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, querendo fazer o mercado acreditar que o ambiente econômico não é maligno. Pérolas e mais pérolas são jogadas na mídia no sentido de induzir a população a acreditar que tudo está sob controle, o que não é verdade. De outro lado um Banco Central que não sabe que rumo tomar.

Recentemente o Banco Central anunciou medidas para injetar mais recursos na economia. Reduziu as exigências quanto ao depósito compulsório dos bancos, devolvendo ao mercado financeiro R$ 45 bilhões. Leitura de "afrouxamento" da política monetária. Ao mesmo tempo o Comitê de Política Monetária, que é composto pelos mesmos dirigentes do Banco Central, mantém os juros básicos elevados.

A pergunta que não quer calar: afinal os esforços são no sentido de controlar a inflação ou são no sentido de permitir que a economia volte a crescer? Outra questão que se apresenta: os juros elevados são utilizados para reduzir a demanda e conter a escalada de preços, portanto política monetária apertada, ou o Banco Central quer ampliar a liquidez do mercado, liberando recursos do compulsório, afrouxando a política monetária? A leitura do mercado é inevitável: contradições levam a insegurança e o cenário fica mais complicado ainda.

Todos nós que operamos o mercado passamos a perceber que há algo errado na economia brasileira. Os negócios não fluem como desejávamos. Teremos um debate acalorado nas eleições. Somos sabedores que medidas heroicas para reverter o pessimismo do mercado não surtirão efeitos à medida que serão ligadas ao oportunismo do pleito eleitoral, e na prática há um grande desafio a ser enfrentado: manter a equipe de funcionários motivada, eventualmente reduzir o quadro de funcionários, também reduzir gastos gerais da empresa, sacrificar margens de lucro e conviver com instituições bancárias seletivas, ofertando crédito para quem tem garantias a oferecer, ensejando mais insegurança no planejamento dos negócios.

Se a atual equipe econômica não consegue estabelecer uma estratégia convincente, já seria de grande valia não atrapalhar e evitar gerar mais incertezas no mercado. Teremos meses desafiadores pela frente. Resta esperar que, se o governo não souber o que fazer para melhorar as condições da economia, que ao menos não prejudique mais o tão abalado mercado.

O autor é economista e articulista do JC

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