Política

Benko prega "política do século 21"

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

Vereador em primeiro mandato pela cidade de São Paulo, o advogado tributarista Laércio Benko Lopes (PHS) é um dos nove candidatos ao governo do Estado em 2014. Aos 41 anos, aposta no discurso da “nova política”, impulsionado na última eleição presidencial pela ex-senadora Marina Silva.

Benko, aliás, está engajado na campanha do presidenciável Eduardo Campos (PSB), que conta com a ambientalista como candidata a vice. Seu maior desafio é se tornar conhecido junto ao eleitorado paulista e desafiar a máquina das campanhas milionárias dos três principais nomes que disputam o Palácio dos Bandeirantes neste ano. Em pesquisa do Ibope divulgada ontem, ele parece com 1% das intenções de votos, empatado em quarto lugar com outros quatro candidatos.

Entre as bandeiras de Benko estão o fim da progressão continuada nas escolas estaduais e a Polícia Civil no “padrão CSI”, em referência à série norteamericana na qual peritos forenses desvendam crimes e mortes em circunstância pouco comuns.

O candidato passou por Bauru nessa quarta-feira e concedeu entrevista ao Jornal da Cidade.

Jornal da Cidade - O senhor não é conhecido para a maioria do eleitorado paulista. Como reverter essa situação?

Laércio Benko - Estamos na luta para divulgar nossa candidatura, que a gente acredita representar a renovação no Estado de São Paulo. Temos outros dois candidatos do século 20: o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que está há 20 anos no poder e quer mais quatro, e o Alexandre Padilha, que é do PT, partido que está encerrando um ciclo. A outra é do Paulo Skaf (PMDB), do partido de José Sarney, que traz junto o Paulo Maluf (PP) e o Gilberto Kassab (PSD). Esses aí representam o século 19. Temos tido nos quatro cantos do Estado uma recepção maravilhosa, ainda mais quando as pessoas percebem nossa coerência política por estarmos apoiando o Eduardo Campos (PSB) e a Marina Silva (PSB) [candidato a presidente e sua vice]. Essa nova política vem de cima para baixo.

JC - Qual é a sua ligação com a Marina?

Benko - Em 2010, a ela teve 20 milhões de votos pregando esse nossos ideal. Eu fui dirigente do PV por 10 anos. Quando a Marina veio para o partido, me apaixonei. Quando deixou, também saí porque trabalhei para que ela assumisse a presidência da sigla. A partir daí, como eu tinha a intenção de disputar a eleição de 2012, fui para o PHS e montei o partido no Estado de São Paulo. Porque o que importa não é a Rede, PHS, PT, PV, mas sim, políticos com um ideal. Precisamos criar uma ideologia para esse século 21. Ainda estamos falando em capitalismo e socialismo, quando a China já uniu o que há de pior dos dois sistemas.

JC - Muito se fala da “nova política”. Como defini-la?

Benko - A política do século 20 é aquela que, com mérito, acabou com a inflação e trouxe a estabilidade econômica no País, feitos do Fernando Henrique Cardoso; e que, depois, com o Lula, melhorou a renda da população. Mas essas medidas poderiam ser feitas em quatro anos de cada um desses ex-presidentes. A presidente Dilma Rousseff, por exemplo, passou quatro anos sem sequer deixar um legado. Os dois anteriores trouxeram a condição de consumidores para a população. Isso foi importante, mas, ao mesmo tempo, muito triste porque a vida das pessoas melhorou da porta de casa para dentro. Mas, do portão para fora, a vida é uma tristeza.

JC - E como deve ser a política do século 21?

Benko -  Ela deve focar as pessoas pelo ser e não pelo ter, proporcionando saúde de qualidade, educação de qualidade, um bom transporte público... Tudo o que o PT e o PSDB não conseguiram. Queremos os seres humanos com acesso a todos os direitos.

JC - E qual o caminho para fazer com que essa “nova política”, em um partido nanico, se sobreponha à grande estrutura das campanhas do PSDB, PT e PMDB?

Benko - Em termos de TV, teremos o mesmo tempo que teve a Marina Silva em 2010: 49 segundos. É suficiente. Nos outros minutos, estarão o Skaf, Padilha e Geraldo se atacando. Nós chegaremos com as propostas novas e coerentes para o Estado de São Paulo. Além disso, temos a maior chapa de candidatos a deputado: 420 na coligação PSH/PRP. Todos eles são pessoas comuns, trabalhadores, que querem atuar na política. Dissemos não para alguns figurões porque queremos ser coerentes. Acredito que, nessa eleição, os cidadãos vão perceber que o prazo de validade dos nossos concorrentes está vencido.

JC - A segurança pública tem destaque em seu programa de governo. Qual é o maior problema no setor?

Benko - Podemos pautar temas que o Skaf, Padilha e Alckmin não podem pautar porque os mesmos problemas existem no Maranhão, na Bahia e em São Paulo, Estados governados pelos partidos desses candidatos. O maior deles, hoje, é o baixo índice de solução de inquéritos policiais. No País, menos de 10% deles são concluídos. Em São Paulo, são apenas 8%. Isso gera a impunidade e obriga, por exemplo, o juiz a soltar alguém que foi preso. Esses fatores geram desconforto na sociedade e o descrédito na atuação e no poder do Estado. A falta de investigação não consegue desmantelar as grandes quadrilhas. O garoto com 15 pinos de crack ou cocaína vai preso, mas ninguém chega ao grande fornecedor porque não investigam. E não acontece por falta de vontade política. Quero ver a Polícia Civil com atuação parecida com a qual a gente vê no CSI. Por outro lado, a Polícia Militar vive transtorno de bipolaridade. Por culpa do comando, ora ela é excessivamente permissiva, ora excessivamente agressiva.

JC - O senhor também tem uma posição clara sobre o que fazer para melhorar a Educação, não?

Benko - Meu primeiro ato de governos será acabar com a progressão continuada no Estado de São Paulo. Essa política gera um apartheid. O filho do pobre termina o ensino fundamental sem saber interpretar um texto nem consegue resolver uma equação de segundo grau depois do ensino médio. Daí, por meio do ProUni, ele consegue terminar a faculdade, mas com a formação muito aquém do filho daqueles que conseguiram pagar uma escola particular durante a educação básica. É esse que vai conseguir a vaga na boa universidade pública. Sem corrigir esse erro, não adianta fazer qualquer outro investimento.

Candidatos

Geraldo Alckmin (PSDB)

Coligação: PSDB, DEM, PEN, PMN, PTdoB, PTC, PTN, SD, PPS, PRB, PSB, PSC, PSDC, PSL

Paulo Skaf (PMDB)

Coligação: PMDB, PROS, PSD, PP, PDT

Alexandre Padilha (PT)

Coligação: PT, PCdoB e PR

Gilberto Natalini (PV)

Sem coligação

Gilberto Maringoni (PSOL)

Coligação: PSOL, PSTU

Laércio Benko (PHS)

Coligação: PHS, PRP

Paulo Skaf (PMDB)

Coligação: PMDB, PROS, PSD, PP, PDT

Raimundo Sena (PCO)

Sem Coligação

Wagner Farias (PCB)

Sem Coligação

Walter Ciglioni (PRTB)

Sem coligação

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