No País onde é mais fácil mudar o itinerário do metrô de São Paulo do que o horário da novela das “oito”, o futebol segue no embalo do vale a pena ver de novo. É um tal de tira, põe, deixa ficar...
Primeiro foi Mano Menezes no Corinthians e Dunga de volta à Seleção. Depois, foi a vez do Flamengo resgatar o ‘profexô’ Luxemburgo das sombras. O Oeste de Itápolis veio buscar Luiz Carlos Martins – o Rei do acesso tenta salvar o Rubrão do rebaixamento na Série B.
Agora é a hora do Grêmio, que faz festa para apresentar Luiz Felipe Scolari. E com a volta do técnico dos 7 a 1 vem a dúvida: Grêmio e Felipão, quem vai salvar quem?
Como comparou muito bem o jornalista Bruno Bonsanti, em seu texto publicado no “Trivela”, a volta de Scolari, Dunga e Luxemburgo faz o futebol brasileiro viver tempos de Sebastianismo - crença dos portugueses de que Dom Sebastião, rei de Portugal no século XVI e que morreu na batalha de Alcácer-Quibir, no Marrocos, um dia retornaria para restaurar os dias de glória.
Em seu retorno, Scolari veio com discurso de cowboy fora da lei. Chamou o presidente Fábio Koff de papai e disse não querer provar nada. “Eu já servi à Pátria amada”.
Ele não é besta pra tirar onda de herói. É vacinado, é cowboy. Mas Felipão não é Raul Seixas e está mais para o Luan Santana do futebol brasileiro. Um meteoro de paixão. Quando você acha que tudo não passou de um sucesso passageiro, ele aparece de novo. Ontem, foi pura explosão de sentimentos.
Ele não resistiu e se declarou. Disse que precisa de carinho, quase pediu colo. Para fechar, 7 mil torcedores estiveram nas arquibancadas da Arena Grêmio para apoiar o novo (velho) treinador, provando que tem quem goste do Felipão. Como também tem gente que curte Luan Santana.
Tricolor confesso, o comandante gaúcho vai fazer o sacrifício de assumir o time de coração e seu bom plantel no meio da tabela do Brasileirão. Tudo isso em troca de aproximadamente R$ 600 mil por mês. O que já nos permite dizer que o Grêmio vai pagar caro por essa contratação.