Douglas Reis |
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Grevistas querem chamar a atenção da reitoria da Unesp e da população de Bauru para problema salarial |
Na manhã desta quinta-feira (31), a portaria 1 da Unesp permaneceu trancada e com a presença de funcionários e professores da universidade que ainda permanecem em greve.
Apesar de uma liminar que foi divulgada nesta terça-feira, impedindo o “trancaço” da universidade, membros da Adunesp Sindical realizaram uma manifestação para reclamar do congelamento de salários de professores e funcionários e mantiveram a portaria 1 fechada. Porém, o acesso à universidade foi possível pela portaria 2 que permaneceu aberta.
A liminar da juíza Liliane Keyko Hioki, da 3ª Vara da Fazenda Pública, embora assegure o direito constitucional de greve, impede que esse tipo de manifestação ocorra com “atos violentos contra pessoas ou bens e tampouco legitima o direito de reivindicação, a tomada de posse de bens pertencentes àquele contra quem a reivindicação é direcionada”.
Ari Fernando Maia, 47 anos, professor da Faculdade de Ciências de Bauru e membro da Adunesp Sindical e também do comando de greve afirmou que o objetivo da manifestação é chamar a atenção da reitoria, da população bauruense e também dos colegas de trabalho que ainda não estão mobilizados.
Ari Fernando acredita que um reajuste seria possível, mas que ele não ocorre apenas por uma decisão política, e que a desvalorização do trabalho do professor universitário pode inferir no futuro da educação do país. “Se você perde salários, você tem um esvaziamento da universidade. Historicamente isso correu com o ensino básico nas escolas. O professor nos anos 60 ganhava bem, mas o salário foi corroendo e agora as pessoas que têm qualificação e dedicação preferem fazer outra coisa. As universidades estaduais não podem deixar isso ocorrer”, afirma Ari.
Os grevistas, que tiveram seus salários congelados, pedem um reajuste salarial referente à inflação (6,7%), acrescido por mais 3%.
Reunião em São Paulo
Hoje haverá uma reunião na reitoria da Unesp, em São Paulo a partir das 12h com o intuito de discutir a situação política, orçamentária e administrativa da universidade.
A reunião deve contar com membros do Conselho Universitário, representantes e diretores de diferentes campi da Unesp, Corpo Técnico da reitoria, membros dos sindicatos dos professores e funcionários e a vice-reitora Marilza Vieira Cunha Rudge.
De acordo com Ari Fernando Maia, os grevistas esperam que nessa reunião do Conselho Universitário ocorra algum avanço.
Entretanto, segundo a assessoria de imprensa da Unesp, na reunião que será realizada nesta quinta-feira, não será debatido sobre um possível reajuste salarial, pois a reunião de hoje é somente entre unespianos, enquanto o reajuste será debatido entre representantes das três universidades estaduais (USP, Unesp e Unicamp).
Uma reunião entre o Cruesp e o Fórum das 6, que poderá debater sobre o reajuste salarial está marcada para o dia 3 de setembro.
Greve na Unicamp
A diretoria da ADunicamp (Associação dos Docentes da Unicamp) reúne-se nesta quinta-feira a partir das 10 horas, com o reitor José Tadeu Jorge, para retomar as negociações salariais e as reivindicações dos professores que estão em greve na universidade desde o dia 27 de maio.
O resultado das negociações será informado aos professores na assembleia, também marcada para esta quinta-feira, a partir das 16 horas, no auditório da sede da ADunicamp.
Conforme decidido na última assembleia, realizada dia 24, a ADunicamp encaminhará ao reitor a proposta de um abono de 26% do valor dos salários, a ser pago em uma única vez até que sejam retomadas as negociações da campanha salarial das três universidades em greve.
O Cruesp (Conselho dos Reitores das Universidades Paulistas) anunciou que só vai retomar as negociações da campanha salarial a partir de setembro.
Em reuniões com os professores e funcionários da universidade, ocorridas durante a greve, o reitor Tadeu afirmou que a Unicamp tem condições financeiras de propor um reajuste salarial de até 5,2%.
Como este valor não pode ser adicionado mensalmente aos salários em forma de abono, os professores em greve decidiram propor o pagamento do abono em uma única vez.